Werther Santana/Estadão - 15/1/2020
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Inflação fica em 0,95% em novembro e atinge 10,74% em 12 meses, a maior desde 2003

Aumento foi puxado mais uma vez pela gasolina, que subiu 3,35% no mês e acumula alta de 50,78% em 12 meses, segundo o IBGE

Daniela Amorim e Cícero Cotrim , O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2021 | 09h17
Atualizado 10 de dezembro de 2021 | 14h17

RIO e SÃO PAULO - Sob pressão do encarecimento dos combustíveis, a inflação oficial no País ficou em 0,95% em novembro, a mais elevada para o mês desde 2015, segundo os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 10.

O resultado veio praticamente no piso das estimativas de analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, que previam alta de 1,10%. Ainda assim, a taxa acumulada em 12 meses atingiu 10,74%, o maior patamar desde novembro de 2003. 

A surpresa positiva abriu a possibilidade de a inflação encerrar o ano abaixo dos dois dígitos, avaliou a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack. “Olhando as leituras do atacado, temos indicações de que pode se manter a tendência de arrefecimento dos alimentos, apesar da sazonalidade de fim de ano”, explicou a economista, cuja projeção preliminar de 0,70% para o IPCA de dezembro pode ser reduzida, já que considerava uma alta de preços ao redor de 0,85% para Alimentação e bebidas.

Segundo Camila, o alívio no índice de novembro deve ter pouco impacto no cenário do Banco Central (BC), que já deu sinais de levar menos em conta a inflação sobre os rumos da taxa básica de juros, a Selic.  

A taxa do IPCA de dezembro tem que ficar abaixo de 0,68% para que a inflação não rompa a barreira dos dois dígitos no ano, calculou Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE. "Na minha conta, se for 0,68% já bate os 10%, está praticamente cravando 10%. O nosso cálculo é feito no sistema com 15 casas decimais. Se for de 0,74%, já vai para 10,07%", disse Kislanov.

Segundo ele, a inflação elevada no País não é resultado de uma pressão de demanda, mas sim de aumentos de preços de bens e serviços monitorados pelo governo, como a energia elétrica e a gasolina, que geram uma inflação de custos. As maiores contribuições para o IPCA acumulado em 12 meses são da gasolina (2,49 pontos porcentuais), energia elétrica (1,36 ponto), etanol (0,45 ponto), gás de botijão (0,43 ponto) e automóvel novo (0,42 ponto). Nos últimos 12 meses, a gasolina já ficou 50,78% mais cara.

Em novembro, os gastos das famílias com transportes dispararam 3,35%, praticamente 76% de toda a inflação do mês. A principal pressão partiu novamente da gasolina, com alta de 7,38%, o maior impacto individual no IPCA. Houve altas também nos preços do etanol (10,53%), óleo diesel (7,48%) e gás veicular (4,30%). Os automóveis novos, automóveis usados e motocicletas também subiram.

Em habitação, a energia elétrica aumentou 1,24%, enquanto o gás encanado subiu 2,00%. O gás de botijão ficou 2,12% mais caro, a 18.ª alta consecutiva, acumulando um aumento de 47,84% desde junho de 2020.

Por outro lado, os alimentos deram uma trégua à inflação, com queda de 0,04% em novembro. O embargo da China à carne brasileira aumentou a oferta do produto no mercado doméstico, o que levou a uma redução de preços.

“Principalmente das carnes consideradas menos nobres, carnes de segunda, como acém, músculo. Essas tiveram quedas mais intensas”, disse Pedro Kislanov.

Outro destaque foi o lanche fora de casa, com queda de 3,37%. Segundo o IBGE, redes de fast-food deram descontos em seus produtos no contexto de promoções da Black Friday. O instituto relatou também impacto da campanha de liquidações sobre reduções de preços de itens como perfumes, artigos de maquiagem e produtos para a pele.

“Esse impacto tem ocorrido mais nos últimos anos. Nós captamos ao longo de todo o mês de novembro, não só na sexta-feira (a última do mês) em si. A gente faz a coleta bem distribuída no mês. A Black Friday tem se expandido, a gente tem visto as promoções em diferentes setores”, comentou Kislanov.

A XP Investimentos pondera que o efeito dos descontos em novembro pode ser revertido em dezembro e janeiro, após o fim da Black Friday.

"A surpresa do mês abaixo das expectativas deveu-se principalmente a descontos maiores que os projetados pela Black Friday. Ainda assim, o resultado mostra a inflação pressionada tanto pelos contínuos repasses de elevados custos de produção quanto pelo efeito da aceleração dos preços dos serviços", afirmou a economista da XP Tatiana Pinheiro, em nota. 

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