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Inflação mais branda

O principal efeito prático dessa inflação mais baixa é a nova perspectiva de queda dos juros básicos (Selic), hoje nos 14,25% ao ano, um dos mais altos do mundo

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2016 | 20h53

A inflação de março, de 0,43%, está entre as raras boas notícias da economia estropiada que prostra este Brasil em crise. Esse número bem mais benigno não chegou a ser uma surpresa porque há duas semanas já se sabia que cairia à metade da inflação de fevereiro, que ficara nos 0,90%.

No período de 12 meses terminado em março, a inflação começou a baixar dos dois dígitos. Agora está nos 9,39% (em fevereiro estava nos 10,36%). É bem mais provável que nos próximos meses esse número fique mais baixo de maneira a terminar o ano próximo dos 7%.

Uma das mais importantes contribuições para essa redução vem das tarifas de energia elétrica, que ficaram mais baixas, porque dispensaram a bandeira vermelha, ou seja, dispensaram a contribuição mais cara da energia gerada por usinas térmicas, alimentadas a gás ou óleo combustível.

Mas não é só isso. Fica evidente que a recessão, em boa parte provocada pela política de juros, começa a produzir efeito sobre o comportamento dos preços. O consumo está em queda em praticamente todos os setores da economia e, nessas condições, os produtores e comerciantes já não conseguem repassar os aumentos de preços para seus clientes. Isso significa que o mercado já não aceita reajustes automáticos e integrais.

Uma das comprovações disso é a inflação bem mais baixa do setor de serviços que, em março, não passou dos 0,24%. Meses atrás, era um setor que conseguia impor seus preços, porque o consumidor aceitava tudo. Agora, com a queda do poder aquisitivo, a desaceleração foi acentuada. No caso das passagens aéreas, por exemplo, o recuo de tarifas apenas em março chegou a 10,85%.

Outro fator de baixa é o fim do processo de realinhamento das tarifas (preços administrados) que, por decisão do governo, ficaram represadas ao longo de 2014, de maneira a garantir o melhor resultado nas eleições. Os reajustes se fizeram ao longo de 2015 e a partir de agora só há correções residuais a fazer.

A desaceleração da inflação pode ser comprovada, também, pelo mais baixo índice de difusão, que é o número de itens da cesta de consumo que apresentam alta de preços. Por meses a fio, esse índice permaneceu acima dos 70%. Agora, em março, caiu para 69,4%. Isso mostra que a inflação começa a ficar menos espalhada.

O principal efeito prático dessa inflação mais baixa é a nova perspectiva de queda dos juros básicos (Selic), hoje nos 14,25% ao ano, um dos mais altos do mundo. O Copom, Comitê de Política Monetária, pode agora começar a preparar o início do desaperto monetário. Pode não ser para a próxima reunião, agendada para o dia 27, porque o teto da meta de 2016 (de 6,5%) ainda vai ser estourado. Mas, a partir de junho, os juros podem começar a cair.

No mais, o comportamento mais benigno da inflação sugere que vai ficando esvaziado o entendimento de alguns economistas de que a economia brasileira estava sob dominância fiscal, situação em que a política monetária (política de juros) perde capacidade de controlar a inflação.

CONFIRA:

Veja, acima, como evoluíram os preços livres e os preços administrados.

É a recessão

Não há nenhuma disposição da Petrobrás em reduzir os preços dos combustíveis de maneira a aumentar o consumo, hoje em queda. O argumento técnico é o de que não é o preço alto que vem inibindo o consumo de gasolina, mas a queda do poder aquisitivo do consumidor. Nesse caso, a eventual baixa dos preços teria efeito marginal. Também não é o preço alto do diesel que reduziu o consumo, mas sim a recessão e a redução de carga transportada.

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