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Inflação mais branda

Dois indicadores ontem divulgados interromperam um período de secura de resultados positivos da economia. Um terceiro não é tão bom.

CELSO MING, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2014 | 02h03

O primeiro desses números mais promissores foi o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que apontou para uma inflação mais baixa do que o esperado.

Para quem não está familiarizado com essas siglas, o IPCA-15 é o mesmo IPCA, o indicador de inflação que serve de base para a política de juros. A diferença é que o período de inflação não é medido pelo mês-calendário, mas pelo período do dia 15 do mês anterior ao dia 15 do mês de referência. É um jeito de antecipar a inflação.

Como a evolução do IPCA de março atingira 0,92%, um avanço do IPCA-15, divulgado uma quinzena depois, de apenas 0,73% mostra desaceleração da inflação. Não é tudo maravilha porque, embora mais atenuada, a inflação segue deteriorando o poder aquisitivo do consumidor. Não se concentra sobre dois ou três setores, mas está muito espalhada: seu índice de difusão é elevado, nada menos que 72% dos artigos que compõem a cesta de consumo (média) do brasileiro acusam alta de preços.

Se o avanço final do IPCA do mês ficar por aí mesmo, não será em abril que haverá a perfuração do teto da meta de inflação (acumulada de 6,5% ao final de dezembro). Isso acontecerá muito provavelmente em maio.

Do ponto de vista da política de juros, ainda é cedo para um prognóstico seguro. Se ficar tudo como está, o Banco Central se sentirá mais à vontade para cumprir sua intenção de dar por terminado o ciclo de alta de juros iniciado em abril de 2013. E, a partir da próxima reunião do Copom (dias 27 e 28 de maio), irá esperar para ver. Em todo o caso, até lá muita coisa ainda pode acontecer.

A outra informação relativamente positiva é o novo recuo do índice de desocupação (desemprego) para 5,0% da população economicamente ativa. Em fevereiro, estava nos 5,1%.

É menos gente à procura de trabalho, o que vai confirmando a fase de quase pleno-emprego. Tem mais a ver com a redução da força de trabalho do que com o aumento do emprego, tanto porque aumentou o tempo de estudo quanto porque também cresceu a tal geração nem-nem, que não estuda nem trabalha. (Os dados do Caged, o terceiro indicador divulgado ontem, também apontam para essa direção - veja o Confira.)

Aparentemente, a geração nem-nem se concentra no segmento de baixa renda e, paradoxalmente, está relacionada com o aumento do poder aquisitivo familiar, que deixa de pressionar os jovens a procurarem trabalho firme. Parecem contentar-se com ganhos esporádicos.

Essa situação tem seu lado ruim, uma vez que o mercado de trabalho continua aquecido, o que não favorece a redução da inflação. Também não favorece o aumento da atividade econômica, já que a situação de pleno-emprego pode ser obstáculo ao aumento da produção.

Ficou mais notória a redução de poder aquisitivo pela inflação. O coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azevedo, observou que a renda nominal do trabalhador já começa a ser comida pela inflação.

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