Inflação mais que dobra de junho a julho

Com alta de preços agrícolas e combustíveis, IGP-M, que reajusta aluguéis, salta de 0,66% para 1,34% e é o maior desde novembro de 2010

MÁRCIA DE CHIARA , O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h07

Puxada pela alta dos preços agrícolas e dos combustíveis no atacado, a inflação mais que dobrou de junho para julho. O Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) subiu em julho 1,34%, ante elevação de 0,66% em junho. O IGP-M de julho foi o maior desde novembro de 2010 (1,45%).

Naquele mês, houve elevação generalizada nos preços das commodities diante de um cenário de recuperação da economia. Agora, o quadro é um diferente. Grãos como soja e milho puxaram para cima a inflação, mas o pano de fundo é de enfraquecimento da atividade. Isso dificulta os repasses da alta de preços no atacado para o consumidor.

"Não há paralelo econômico entre hoje e a situação de 2010, embora os resultados dos IGPs sejam muito próximos", diz o coordenador de Análise Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros.

Soja e derivados, que pesam quase 7% no Índice de Preços por Atacado (IPA), responderam por mais de um terço (36%) do IGP-M de julho. Por causa da seca que afetou a produção dos Estados Unidos, o preço do grão no atacado subiu 14,89% em julho, a maior variação dos últimos dez anos. De janeiro a julho, o preço da soja em grão acumula alta de 62,63%, a maior elevação para esses meses no período do real.

Quadros explica que os preços da soja dispararam este ano porque houve o acúmulo dos efeitos de quebra da safra brasileira, ocorrida no início do ano, com a quebra da produção dos EUA, agora. Também afetado pela seca, o preço do milho subiu 6,74% no atacado em julho. O tomate foi o outro vilão da inflação no mês passado, e subiu 93,12% no atacado, a maior variação mensal no período do real. No varejo, a alta foi de 51,28%.

A elevação dos preços dos combustíveis também pesou no atacado. O combustível (gasolina e diesel) ficou 5,14% mais caro, apesar de não ser um custo que será repassado totalmente ao consumidor porque o governo decidiu compensar essa elevação abrindo mão do imposto (Cide), explica Quadros.

Mas o balanço global das altas de preço dos produtos agropecuários (soja, milho e tomate) e combustíveis (gasolina e diesel) é que, juntos, eles responderam por 90% da elevação do IPA, que subiu 1,81% no mês passado. Em junho, o IPA tinha subido 0,74%. "O IPA é o vilão que está por trás da aceleração do IGP-M em julho", ressalta.

Enquanto o IPA disparou, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do IGP-M, teve uma pequena alta. Em junho, o indicador tinha subido 0,17% e aumentou 0,25% no mês seguinte. Quadros destaca que a alta do IPC ocorreu por causa do grupo alimentação, que subiu 1,06% em julho, ante alta de 0,61% em junho. Com a produção afetada por problemas climáticos, o tomate e a cenoura, que ficou 28,7% mais cara em julho, dominaram a cena.

Na contramão do IPA e do IPC, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC), que pesa 10% no IGP-M, desacelerou no último mês. Em junho, o INCC tinha subido 1,31% e aumentou 0,85% no mês passado. Segundo Quadros, a desaceleração do INCC ocorreu por causa da descompressão dos reajustes da mão de obra.

Pico. Em 12 meses até julho, o IGP-M acumula alta de 6,67%, 1,5 ponto acima do índice acumulado até junho. "Acredito que o pico tem sido em julho", avalia o coordenador, considerando uma desaceleração no curto prazo. O cenário que ele leva em conta é que, com a economia fraca, os repasses serão mais difíceis.

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