Inflação medida pelo IGP-M acumula alta de 7,75% em 2007

Resultado anual é o 5º menor de sua série histórica; inflação de dezembro é a mais alta desde fevereiro de 2003

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

27 de dezembro de 2007 | 08h10

A inflação medida pelo IGP-M subiu 7,75% em 2007 e ficou acima da taxa registrada em 2006, quando o índice fechou o ano em 3,83%, segundo informações divulgadas pela Fundação Getúlio Vargas na manhã desta quinta-feira, 27. A fundação divulgou o resultado de dezembro do índice - que apresentou alta de 1,76%, ante aumento de 0,69% em novembro. O resultado do mês de dezembro é o maior desde fevereiro de 2003, quando a taxa teve alta de 2,28%.   A taxa mensal ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pela Agência Estado, que esperavam um resultado entre 1,1% e 1,8%, e acima da mediana das projeções 1,7%. Com o resultado anual de 2007, o IGP-M desse ano atingiu a quinta menor taxa de sua série histórica, iniciada em 1989, perdendo apenas para a de 2005 (1,21%); a de 1998 ( 1,78%); a de 2006 ( 3,83%) e a de 1997 (7,74%).   A FGV anunciou ainda os resultados dos três indicadores que compõem o IGP-M de dezembro. O IPA subiu 2,36% esse mês, ante elevação de 0,97% em novembro. Por sua vez, o IPC apresentou elevação de 0,67% em dezembro, ante aumento de 0,04% em novembro. Já o INCC registrou alta de 0,43% em dezembro, ante avanço de 0,48% em novembro. O período de coleta de preços para cálculo do IGP-M de dezembro foi do dia 21 de novembro a 20 de dezembro.   Segundo a FGV, o IPA-M de dezembro, que subiu 2,36%, teve o maior resultado nesse tipo de indicador também desde fevereiro de 2003, quando o IPA subiu 2,64%. Por sua vez, o IPC-M de dezembro, que registrou alta de 0,67%, registrou a maior taxa desde janeiro deste ano, quando o índice subiu 0,81%. Já o INCC-M, que teve aumento de 0,43% em dezembro, assumiu trajetória contrária a dos outros indicadores, e apresentou a menor taxa desde setembro deste ano, quando o INCC-M subiu 0,39%.   Atacado   O IPA-M encerrou 2007 com alta de 9,19%, segundo a FGV; em 2006, o IPA-M subiu 4,40%. De acordo com a fundação, os preços dos produtos agrícolas subiram 24,22% no atacado este ano, no âmbito do IGP-M, em comparação com o aumento de 7,85% em 2006. Já os preços dos produtos industriais registraram elevação de 4,24% em 2007, em comparação com a alta de 3,31% em 2006.   Dentro do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais subiram 6,95% este ano, ante aumento de 1,63% em 2006.   Por sua vez, os preços dos bens intermediários tiveram aumento de 5,11% em 2007, em comparação com a elevação de 3,23% em 2006. Já os preços das matérias-primas brutas acumularam alta de 19,57% este ano, ante elevação de 10,47% em 2006.   A FGV esclareceu ainda que, na análise por produtos, as altas de preços mais expressivas no atacado em dezembro, no âmbito do IGP-M, foram registradas em milho em grão ( 17,43%); soja em grão (7,25%); e bovinos (9,47%). Já as mais expressivas quedas de preço, no atacado em dezembro, foram apuradas em leite in natura (-5,22%); batata-inglesa (-16,93%); e minério de ferro (-2,52%).   Varejo   No varejo, o IPC encerrou 2007 com alta de 4,64%, em comparação com a elevação de 1,9% em 2006.  Segundo a FGV, a forte aceleração na taxa do IPC - que entre novembro e dezembro subiu de 0,04% para 0,67% - foi influenciada principalmente pelo fim da deflação de preços no grupo Alimentação (de -0,1% para 1,73%), no período.   Das sete classes de despesa usadas para cálculo do índice, quatro apresentaram término de queda de preços, ou inflação mais forte, no mesmo período. Além de Alimentação, é o caso de Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,13% para 0,18%); Transportes (de 0,04% para 0,86%); e Despesas Diversas (de -0,08% para 0,74%).   Os outros grupos apresentaram desaceleração ou queda de preços. É o caso de Habitação (de variação zero para -0,05%); Vestuário (de 0,91% para 0,77%); e Educação, Leitura e Recreação (de 0,14% para 0,13%)   Ao analisar a movimentação de preços no âmbito dos produtos, a FGV informou que as altas de preço mais expressivas no varejo, no IGP-M de dezembro, foram registradas em feijão carioquinha (32,21%); gasolina (1,27%); e cigarro (3,16%). Já as mais expressivas quedas de preço foram apuradas em tarifa de eletricidade residencial (-0,95%); leite tipo longa vida (-3,01%); tomate (-10,65%).   Agrícolas   Os preços dos produtos agrícolas subiram 5,95% em dezembro, em comparação com a elevação de 2,63% em novembro, segundo divulgou a FGV nesta quinta. De acordo com a fundação, ainda no atacado, os preços dos produtos industriais registraram aumento de 1,02% em dezembro, ante elevação de 0,36% em novembro.   Dentro do IPA-EP, os preços dos bens finais subiram 2,29% em dezembro, em comparação com a alta de 1,13% em novembro. Por sua vez, os preços dos bens intermediários registraram alta de 0,8% em dezembro, em comparação com o aumento de 0,39% em novembro. Já os preços das matérias-primas brutas apresentaram elevação de 5,09% em dezembro, ante avanço de 1,79% em novembro.   Construção Civil   Na construção civil, o INCC encerrou o ano com alta de 6,04% em 2007, ante aumento de 5,04% em 2006. A desaceleração de preços no setor, medida pela taxa do INCC, de novembro para dezembro (de 0,48% para 0,43%), foi influenciada por elevação de preços menos intensa no segmento de materiais e serviços (de 0,71% para 0,56%), no período.   Na análise por produtos, a FGV informou que as altas de preço mais expressivas na construção civil em dezembro, no âmbito do IGP-M, foram registradas em refeição pronta no local de trabalho (1,28%); ajudante especializado (0,37%); e esquadrias de alumínio ( 0,45%). Já as mais expressivas quedas de preço foram apuradas em condutores elétricos fio/cabo (-0,76%); aço CA-50 e CA-60 (-0,04%); e tapete vinílico/carpete (-0,09%).   Texto ampliado às 8h40 para acréscimo de informações.

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