Inflação medida pelo IPC-Fipe é a menor em sete anos

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) calculada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da primeira quadrissemana de junho foi a menor dos últimos sete anos, desde exatamente a primeira pesquisa feita em junho de 1999. Na ocasião, a apuração revelou deflação de -0,41%; neste levantamento, a queda foi de 0,38%. Maio havia registrado retração de 0,22%. O resultado ficou abaixo da margem prevista pelos 10 analistas ouvidos pela Agência Estado, que apostavam em uma variação entre -0,35% e -0,10%.O índice abaixo do esperado também prejudica a expectativa do coordenador do IPC-Fipe, Paulo Picchetti, para o fechamento do mês, de taxa nula. Ele informou na semana passada que esta seria uma das previsões mais difíceis de serem feitas porque não há aumento previsto de preços administrados no período e porque a inflação na capital paulista ficaria sujeita ao longo do mês às variações dos preços dos alimentos e transportes, que vêm apresentando alta volatilidade nas últimas semanas.A única pressão prevista pelo coordenador em junho é do item viagem (excursão), de 2,5%, que causaria um impacto de apenas 0,02 ponto porcentual sobre o IPC. Maior queda A maior queda foi do grupo Alimentação, cujos preços retraíram 1,32%, contra queda de 0,89% no levantamento de maio. Transportes, que havia deflacionado em 0,61% no mês passado, sofreu baixa de 0,70% no período pesquisado. O grupo Despesas Pessoais caiu 0,20%, baixa expressiva na comparação com a alta de 0,02% na última pesquisa. Já Habitação sofreu pouca variação, com queda de 0,03% ante baixa de 0,01% na última pesquisa. Vestuário registrou a maior alta do período, com a chegada das coleções de inverno às lojas. O item subiu 0,60%, bem acima do 0,39% apurado no final do mês de maio. O grupo Saúde avançou 0,54%, variação menor do que o 0,80% da semana passada. Educação subiu 0,07%, levemente abaixo do aumento de 0,10% registrado no período anterior.Ano Picchetti manteve sua projeção de que a inflação de São Paulo encerrará o ano com uma taxa de 4%. Ele admitiu, no entanto, que pode rever esta estimativa para baixo no início do próximo mês, quando tiver em mãos o resultado do indicador de junho.De acordo com ele, a inflação do primeiro semestre, até agora (que acumula uma alta de 0,03%), apresenta um comportamento muito favorável e o IPC tem grandes chances, segundo ele, de encerrar junho com uma taxa negativa.O coordenador salientou, no entanto, que, apesar do cenário benigno do primeiro semestre do ano, a perspectiva para a segunda metade de 2006 ainda é de elevação dos preços. Sua avaliação é de que o câmbio possa mudar de patamar com o real um pouco mais desvalorizado. "Os preços no atacado, mostrados pelos IGPs (Índice Geral de Preços), já estão mais altos e o quadro aponta para um segundo semestre com inflação maior, o que não é difícil, dada a base de comparação", considerou.O IPC-Fipe mede a variação dos preços de produtos e serviços, no município de São Paulo, para famílias que ganham entre 1 e 20 salários mínimos.Este texto foi atualizado às 15h49.

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