Inflação na Argentina chega a 33,9% em 12 meses

Inflação na Argentina chega a 33,9% em 12 meses

Levantamento de consultorias privadas aponta que boa parte da alta se deve ao tarifaço no país

Rodrigo Cavalheiro, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2016 | 22h53

 BUENOS AIRES - A inflação argentina atingiu 33,9% nos últimos 12 meses, segundo a fonte usada como referência no país, o levantamento divulgado pelo Congresso com base em consultoras privadas. O governo de Mauricio Macri promete apresentar dados oficiais em até dois meses, tempo que considera necessário para desfazer a distorção nas estatísticas que caracterizou os últimos anos do período kirchnerista.

Segundo os dados apresentados pela bancada de oposição moderada ao presidente Mauricio Macri, o índice de fevereiro foi de 4,8%. O grupo atribuiu parte da alta (40%) à entrada em vigor do aumento de tarifas de energia, após anos de subsídios concentrados na região metropolitana de Buenos Aires. Algumas contas tiveram reajuste superior a 600%.

O deputado Sergio Massa, cuja bancada tende a acompanhar Macri nas votações mais difíceis, disse que seu bloco apresentará na próxima semana sugestões para controlar a tendência de elevação nos preços, hoje a preocupação principal dos argentinos. Até o ano passado, a criminalidade ocupava o primeiro posto. "Necessitamos um programa, metas e instrumentos tecnológicos que nos permitam controlar abusos", disse. Massa ficou em terceiro na eleição presidencial, com 20% dos votos no primeiro turno, com um discurso anticorrupção e de penas fortes. Macri venceu o kirchnerista Daniel Scioli em segundo turno em novembro.

Outra ex-candidata presidencial, Margarita Stolbizer, participou da apresentação das estatísticas e acusou Macri de não dar prioridade ao tema. "Temos uma inflação mensal que em outros países é anual", comparou. O governo não se manifestou imediatamente sobre a divulgação. No mês passado, anunciou a criação de uma página na internet em que os maiores supermercados deverão atualizar seus preços para controle popular.

O Parlamento difunde o índice paralelo desde que os dados oficiais deixaram de ser confiáveis, no governo de Cristina Kirchner. Ela admitia inflação de 15% por ano, enquanto os mesmos institutos privados a calculavam em 25%. O IPC Congresso foi a forma encontrada pelos antikirchneristas de expor os números sem que as consultorias fossem multadas, sob acusação de Cristina de tentar desestabilizar o país. Os deputados macristas recorriam a ele com frequência.

Precedente. O salto nas remarcações começou antes de Macri cumprir a promessa de liberar em dezembro a compra e venda de dólares, limitada pelo kirchnerismo em 2011. A medida levou a uma desvalorização de 30% no peso, que o governo considerava necessária para recuperar competitividade nas exportações. 

A Casa Rosada colocou uma meta de inflação para 2016 de até 25% e tenta estabelecer esse número como teto para os aumentos salariais negociados este mês. Os sindicatos esperam pelo menos 32% e projetam greves como forma de pressão. Horas após a primeira divulgação do índice do Congresso, no dia 17 de fevereiro, caiu a número 2 do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), Graciela Bevacqua. Sua presença era simbólica porque ela tinha sido demitida pelo kirchnerismo, no primeiro sinal de intervenção de Cristina no organismo. Ao retornar com Macri, ela defendeu a divulgação do primeiro dado oficial só em cinco meses, o que levou a seu afastamento.

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