Inflação na China chega a 8,7% e bate recorde de 11 anos

Índice de fevereiro foi puxado pelo aumento do preço dos alimentos e combustíveis.

Marina Wentzel, BBC

11 de março de 2008 | 09h20

A inflação do mês de fevereiro na China chegou a 8.7% - o maior índice dos últimos 11 anos - informou o governo nesta terça-feira. O aumento foi puxado pelo preço dos alimentos, segundo o Departamento de Estatísticas da China, e é 1,6 pontos percentuais maior que a já expressiva marca de 7.1% registrada em janeiro. Em relação ao mesmo período do ano passado, o aumento dos preços ao consumidor chega a 23,3%. O anúncio do aumento deverá pressionar ainda mais o Banco Central chinês a aumentar a taxa de juros a curto prazo. Em discurso no Parlamento chinês na semana passada, o primeiro ministro Wen Jiabao disse que o combate à inflação é a "maior preocupação do povo".A alta também foi impulsionada por um inverno rigoroso, durante o qual a China sofreu as piores nevascas dos útimos cinco anos. O mau tempo causou uma crise de abastecimento que contribuiu para o aumento do preço dos alimentos e combustíveis.AumentosA agência de estatísticas informou que a só os alimentos registraram alta média de 23% em fevereiro. O preço da carne de porco aumentou 63.4%, ovos, vegetais e frutas subiram mais de 46% e o óleo de cozinha 41% em comparação ao mesmo período do ano passado.Além do aumento da taxa de juros, as autoridades também estudam adotar outras medidas de macro controle para aliviar as pressões inflacionárias que vêm surgindo desde o começo de 2007, desencadeadas pelo aquecimento do mercado imobiliário e o boom do mercado de ações. Investidores preocupados com a restrição ao acesso ao crédito e com o impacto de uma possível recessão americana no resto do mundo recolheram investimentos que tinham na bolsa chinesa. O mercado de ações já perdeu mais de 20% desde o começo do ano. Só na segunda-feira, a bolsa de Xangai perdeu mais de 3% e nesta terça-feira o índice SSE Composite de Xangai fechou em alta de 0.47%. No ano passado, o Banco Central da China aumentou a taxa de juros cinco vezes, na tentativa de abrandar a inflação. Entretanto, as repetidas correções de 0.27 pontos percentuais se mostraram insuficientes para frear a alta nos preços. "Certamente há espaço para maiores aumentos", disse Zhou Xiaochuan, chefe do Banco Central à imprensa estatal."O tempo e a escala desses ajustes é que são fatores críticos", ressaltou Zhou.O diretor, entretanto, não admitiu que os recentes cortes na taxa de juros norte-americana acabaram restringindo a habilidade da China de evitar a entrada de dinheiro especulativo. Com os juros se movendo em direções opostas nos dois países - baixando nos Estados Unidos e subindo na China - a economia chinesa tende a receber "hot money"- investimentos em ativos financeiros atraídos pela possibilidade de ganhos rápidos devido a elevadas taxas de juros ou por grandes diferenças cambiais -, o que acentua o excesso de liquidez dificultando ainda mais o combate à inflação. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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