Inflação na zona do euro é a maior em 20 meses

Resultado mostra reativação da economia, mas dados da União Europeia indicam que o impacto social da crise levará mais tempo para ser revertido

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2010 | 00h00

Em mais um sinal do que poderia ser o início da retomada da economia europeia, a inflação na zona do euro registrou a maior alta em 20 meses. Mas, se a economia começa a se movimentar, os dados divulgados ontem pela União Europeia também indicam que o impacto social da crise deve levar mais tempo para ser revertido.

O desemprego no continente continua na marca de 10% e não cede. Entre junho de 2009 e maio de 2010, 2 mil europeus perderam seus empregos em média por dia, a pior taxa desde 1998.

Segundo Bruxelas, a inflação em julho foi de 1,7%, além do aumento de 1,4% em junho, em comparação com 2009. Para o mercado, os dados seriam uma indicação de que empresas terão uma margem para aumentar seus preços e lucros, além do sinal de que a turbulência gerada pelo euro e pela crise da dívida podem ser enfrentadas.

Na prática, a alta nos preços está vinculada ao possível maior consumo e demanda, sinais tímidos de que a Europa começa a recuperar o fôlego depois da pior crise em 70 anos.

Já na quinta-feira, a UE havia anunciado que a confiança do setor privado estava em seu ponto mais alto nos últimos dois anos, enquanto a taxa de desemprego na maior economia do continente - a Alemanha - deu sinais de queda.

O euro voltou a ganhar terreno, com uma alta de 6,5% apenas em julho. A recuperação fez com que as perdas da moeda única em 2010 fossem reduzidas para 9%. As exportações europeias também voltaram a ganhar fôlego, saindo de meses de contração para uma tímida alta. A produção industrial ainda começa a se recuperar. Depois de cair 12% em 2009, registrou uma alta superior a 2% no primeiro trimestre e de 1,2% em maio.

O setor privado de fato começa a anunciar benefícios. Empresas como a Volkswagen, Royal Dutch Shell e Siemens apresentaram nesta semana balanços melhores que o esperado.

Mas, com governos cortando orçamentos e empresas se reestruturando, o impacto social da crise promete ainda cobrar seu preço na Europa. "A recuperação dos mercados pode levar meses para ser traduzida em novos empregos", alertou Juan Somavia, diretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Pelo quarto mês consecutivo, a taxa de desemprego na zona do euro se manteve em 10% e não cede. Desde 1998, a Europa não via uma taxa tão elevada. Segundo o presidente Nicolas Sarkozy, a taxa de desempregados entre imigrantes irregulares chega a 24%. Na Irlanda, 40 mil estrangeiros deixaram o país nos últimos 12 meses diante da falta de trabalho.

Já os mais otimistas apontam que, pelo menos, o desemprego deixou de subir em muitos países. Entre junho de 2009 e junho de 2010, 788 mil pessoas perderam seus trabalhos na Europa. Isso significaria a demissão de 2 mil pessoas por dia em média. Mas, entre maio e junho, foram apenas 6 mil novas demissões.

No total, 15,8 milhões de europeus não encontram trabalho nos 16 países que usam o euro. Nos 27 países do bloco, a taxa de desemprego é de 9,6% e a Espanha tem a liderança, com mais de 20%.

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