Inflação não deve afetar financiamento de imóveis

A inflação em alta não afeta diretamente o valor da prestação da casa própria, pois a maioria dos contratos é reajusta pela Taxa Referencial (TR). Porém, a alta no preço de produtos e serviços deixa mais apertado o orçamento dos mutuários e, dessa forma, não se descarta um aumento da inadimplência no setor mobiliário.O economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo, acredita que o aumento dos índices de inflação pode comprometer compromissos futuros. ?O aumento de tarifas e tributos está bem acima da reposição salarial. O salário do trabalhador não é corrigido na mesma proporção e isso compromete o orçamento mensal do consumidor. Ou seja, a inadimplência pode crescer nos próximos meses?, avalia.Marcel Solimeo avisa que o consumidor não tem como escapar de reajustes com tarifas de energia e do aumento de impostos como IPTU e IPVA. ?Se o consumidor já estiver com os gastos no limite de seu orçamento, vai se tornar inadimplente de algum pagamento futuro?, afirma. Diretamente sobre os contratos imobiliários, o aumento da inflação tem efeito reduzido. O diretor do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Celso Petrucci, destaca que os contratos assinados nos últimos anos não utilizam indexadores ligados aos índices de inflação. Ele acredita que a inadimplência no setor imobiliário não deve crescer. ?São poucos os contratos imobiliários com reajuste pela inflação?, avisa o diretor do Secovi. Para esses casos, o analista financeiro Mauro Halfeld alerta que é possível um aumento de inadimplência. ?As reposições salariais não foram tão altas quanto o aumento dos índices de inflação nos últimos meses?, afirma. PenalidadesMauro Halfeld aconselha o consumidor a ficar atento ao seu contrato e verificar quais são as penalidades e multas no caso de inadimplência. No Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), por exemplo, os contratos prevêem alienação fiduciária do imóvel, e não hipoteca. Alienação fiduciária é um tipo de garantia que dá maior segurança ao banco. Neste contrato, o imóvel é propriedade do banco até o momento da sua quitação. Com isso, a instituição financeira pode reaver o imóvel com maior facilidade em caso de inadimplência, num prazo máximo de 90 dias. O imóvel somente é transferido para o mutuário após sua quitação. O analista lembra que financiar um imóvel só é bom negócio quando o consumidor está saindo do aluguel, ou encontrou uma oferta realmente muito vantajosa. ?As parcelas do financiamento devem estar dentro das possibilidades do orçamento mensal do comprador?, alerta. Mauro Halfeld lembra que muitas vezes vale mais a pena aplicar o dinheiro e comprar um imóvel à vista, ao invés de pagar os juros dos financiamentos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.