Inflação não voltará, podem tirar o cavalo da chuva, diz Lula

'Eu tenho dito todo santo dia que combater a inflação é quase uma questão de honra para o governo'

Lisandra Paraguassú, de O Estado de S. Paulo,

23 de julho de 2008 | 16h52

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar, em entrevista nesta quarta-feira, 23, ao sair do Palácio do Itamaraty, que seu governo tomará todas as medidas necessárias para combater a inflação e declarou que ela não voltará a perturbar a economia. "Eu tenho dito todo santo dia que combater a inflação é quase uma questão de honra para o governo. Porque eu estive do outro lado toda a minha vida, vivendo como trabalhador, e eu sei que a inflação prejudica exatamente as pessoas que vivem com menos, (que vivem) de salário. São as que têm maior prejuízo", disse.   Veja também: Entenda os principais índices de inflação  Entenda a crise dos alimentos  De olho na inflação, preço por preço  "Se alguém imagina que a inflação vai voltar, como já aconteceu no Brasil, pode tirar o cavalo da chuva, porque ela não vai voltar. Nós tomaremos todas as medidas que forem necessárias tomar para que a gente mantenha a inflação controlada", declarou Lula.   Ele voltou a assegurar que seu governo persistirá no combate à inflação: "Pode ficar certo de que vamos fazer um esforço muito grande, mas muito grande, para evitar que a inflação volte, porque a inflação é danosa à sociedade. Lamentavelmente, alguns setores aproveitam o momento em que o povo está consumindo para aumentar preço, e nós precisamos cuidar disso com muito carinho", disse.   "Eu não vou diminuir o consumo nesse País. Se tem uma coisa que o povo pobre passou a vida inteira esperando era o direito de comer três vezes ao dia, de entrar num shopping e comprar uma roupinha, alguma coisa. E isso nós vamos garantir, custe o que custar", acrescentou.   Momento excepcional   O presidente reiterou também sua convicção de que é "excepcional" o momento que o Brasil vive. "A economia está crescendo, os investimentos são muitos, e a perspectiva de novos investimentos é maior ainda. Só hoje, eu recebi informação de mais duas fábricas de papel e celulose que serão instaladas - uma no Piauí e outra no Maranhão, mais uma (que será) aumentada, na Bahia", afirmou.   "Estamos pensando em várias siderúrgicas no Brasil, num trem de alta velocidade, em duas grandes refinarias - as duas, juntas, de 900 mil barris/dia. Portanto, são investimentos extraordinários que mostram que o crescimento será sustentável, realmente, e é definitivo", disse.   Segundo o presidente, o andamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) continua "adequado". Ele disse acreditar que os juros não representarão problema para os investimentos, porque estes "já estão contratados, a taxa de juro é outra, é só colocar as máquinas para trabalhar."   Petróleo   Lula voltou a afirmar, também, que a população mais pobre do País será beneficiada pelas descobertas de campos de petróleo na chamada camada do pré-sal do mar brasileiro, recentemente anunciadas. "Eu fiz um decreto esses dias, (criando) uma comissão para pensar a questão do pré-sal. E eu tenho dito uma coisa para os ministros: 'Vocês pensem o que quiserem, projetem o que quiserem, mas (com) uma parte do petróleo que encontramos nós vamos cuidar dos pobres desse país. Acho que está na hora dos pobres ocuparem um lugar de destaque nos indicadores de bem-estar social, e não apenas nos indicadores de miséria'."

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