Inflação no atacado leva à piora das expectativas

Em junho, o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) subiu 0,75%, maior alta desde setembro do ano passado (0,97%) e contrastando com a estabilidade em maio. O IGP-M superou as expectativas da maioria dos agentes econômicos, indicando que as autoridades terão dificuldade para manter a inflação no teto das metas (6,5%) nos próximos meses.

O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2013 | 02h02

Em 2012, o IGP-M subiu 7,82%, muito acima da inflação oficial (IPCA), de 5,84%. O que se esperava era um recuo mais forte neste ano, mas nos últimos 12 meses o IGP-M ainda subiu 6,31%, não muito distante do IPCA, que até maio registrou alta de 6,5%.

Entre os componentes que pesaram no IGP-M, o Índice Nacional da Construção (INCC) aumentou 1,96%, enquanto os preços no atacado (IPA) avançaram 0,68%. Mas a maior influência veio justamente do IPA, em que a soja em grão tem peso expressivo. Trata-se de uma commodity cujas cotações são determinadas na Bolsa de Chicago. A alta de 11,38% do grão influenciou o farelo de soja, que subiu 18,35%.

Outra pressão sobre o IGP-M veio do câmbio. No período de apuração do índice, entre 21 de maio e 21 de junho, o real desvalorizou-se cerca de 5%, ajudando a pressionar os preços no atacado. A dúvida é saber em que medida os preços no atacado serão repassados para o varejo, afetando outros índices, como os que medem a inflação para o consumidor. O repasse só não ocorrerá, ou não será tão intenso, se o ritmo da atividade for baixo.

O coordenador dos índices da Fundação Getúlio Vargas (FGV), economista Salomão Quadros, afirmou que a variação de junho do IGP-M é pontual. É a melhor hipótese. Como prova, os preços da soja, nos últimos dias, já deram sinais de acomodação nas bolsas internacionais e tendem a cair. Nessa hipótese, a pressão de alta do atacado registrada em junho poderá ser menor.

A importância dos índices da FGV, nos quais o peso do atacado é maior, não deve ser ignorada.

No triênio 2010/2012, enquanto o IGP-M subiu 25,5%, o IPCA aumentou 21,5%. O IGP-M é o principal índice empregado na correção dos aluguéis e, portanto, exemplo de indexador relevante. Também corrige outros contratos, caso de fundos de previdência mais antigos e de operações de compra e venda de produtos entre empresas e de serviços. O IGP-M, portanto, ajuda a contaminar o IPCA, estimado em 6%, neste ano, no Relatório de Inflação. Isso dá ideia das dificuldades à frente.

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