Inflação no Japão tem maior alta desde 1998

Tóquio, 28 - O núcleo do índice de preços ao consumidor do Japão teve a maior alta em quase uma década em novembro, devido principalmente aos custos de energia, informou o governo nesta sexta-feira. Outro dado divulgado hoje também indica que a economia do Japão não vive seus melhores dias. A taxa nacional de desempregados caiu inesperadamente em novembro, mas a produção industrial também declinou pela primeira vez em dois meses. Todos esses dados sugerem que o banco central do país deve permanecer hesitante em elevar a taxa de juro. Diante de um cenário nebuloso para a economia global em meio à crise imobiliária nos EUA, o Banco do Japão manteve inalterada a taxa de juro em 0,50% em seu encontro de política monetária neste mês.Segundo o Ministério das Relações Interiores e Comunicações, o núcleo do índice de preços ao consumidor - que exclui preços de alimentos in natura - teve alta de 0,4% em novembro ante o mesmo mês do ano passado. O índice ficou acima das previsões de economistas, que estimavam núcleo da inflação em 0,3%. É a maior alta da taxa desde o aumento de 1,8% em março de 1998.A maior parte da alta dos preços em novembro se deve aos custos de energia, que subiram 5,4% na comparação com um ano e contribuiu com 0,42% no total da inflação. Os preços da gasolina subiram 10,8% no ano, enquanto o óleo de calefação teve alta de 11,9%.A produção industrial de minas e fábricas em novembro caiu 1,6% em um ajuste sazonal, a primeira queda em dois meses, disse o ministro da Economia, Comércio e Indústria. O resultado ficou em linha com a expectativa dos economistas. Em outubro, a produção industrial subiu 1,7% após cair 1,4% em setembro. A taxa de desemprego em novembro caiu para 3,8%, de 4,0% ante o mês anterior, disse o ministro das Relações Interiores.Os dados sobre as vendas no varejo, no entanto, não são animadores. Segundo o ministro, as vendas no varejo subiram 1,6% em novembro ante igual mês de 2006, marcando o quarto mês seguido de alta. Mas um dos principais condutores da alta das vendas no varejo foi o aumento dos preços da gasolina e do óleo de calefação, que eleva o número desse indicador, que não é ajustado para a inflação. De fato, a inflação ajustada para os gastos domésticos, divulgado pelo ministro das Relações Interiores, caiu 0,6% no ano em novembro, interrompendo uma seqüência de três meses de alta. O resultado ficou pior do que o 0,4% estimado pelos economistas.

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