Inflação nos EUA desacelera, mas analistas descartam deflação

Uma importante medida da inflação norte-americana desacelerou em novembro ao menor patamar em mais de quatro anos, segundo dados desta quarta-feira, mas economistas não prevêem que essa tendência se transforme numa deflação do estilo da japonesa. A alta do núcleo do índice de preços de gastos com consumo pessoal desacelerou a 1,9 por cento em novembro sobre igual mês de 2007, ante 2 por cento em outubro, informou o Departamento de Comércio. Foi a menor leitura desde março de 2004 e está meio ponto percentual abaixo do pico de 2,4 por cento atingido em julho. A desaceleração coloca a inflação dentro da zona de conforto do Federal Reserve, de 1 a 2 por cento. Economistas disseram que há preços suficientes em alta para manter o risco de deflação afastado por enquanto. "Não deveremos ver esse ritmo de desaceleração nos próximos meses, então não acho que vamos atingir 1 por cento até meados do ano", disse Dean Maki, economista do Barclays Capital. A deflação pode prejudicar a economia ao encorajar os consumidores a adiar suas compras aguardando mais quedas de preços. "No atual ambiente, isso (deflação) parece improvável, porque você vê que muitos preços continuam subindo", acrescentou Maki. O Japão sofreu com uma década de deflação nos anos 1990, que só acabou quando o banco central usou ferramentas políticas pouco convencionais. O Fed já empregou sua própria versão de medidas pouco convencionais de afrouxamento monetário ao injetar mais de 1 trilhão de dólares nos mercados de crédito visando reduzir o custo dos financiamentos e estimular a demanda, além de ter reduzido a taxa básica de juro para perto de zero. "Os formuladores de política provavelmente estão mais focados no risco de a taxa (de preços) alcançar o piso da banda no curto prazo, dada a contínua tendência de desaceleração dos preços das commodities", afirmou Mike Englund, economista-chefe do Action Economics, referindo-se à faixa da zona de conforto do Fed. "Nossa visão neste ponto é uma redução do núcleo dos preços para meados da zona de conforto até a metade de 2009. A partir de então, o ritmo depende da magnitude e da duração da atual desaceleração econômica norte-americana e global." (Por Alister Bull)

ALISTER BULL, REUTERS

24 Dezembro 2008 | 18h36

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