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Inflação oficial acelera para alta de 1,32% em março, a maior taxa para o mês em 20 anos

Energia elétrica teve aumento médio de 22,08% e respondeu por mais da metade do IPCA de março, segundo o IBGE; em 12 meses, a inflação acumula alta de 8,13%

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

08 de abril de 2015 | 09h02

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Atualizado às 9h50

A inflação oficial do País, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acelerou a alta em março para 1,32%. Em fevereiro, o IPCA havia avançado 1,22%. O dado foi divulgado na manhã desta quarta-feira, 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O IPCA de março foi o maior índice mensal desde fevereiro de 2003, quando atingiu 1,57%. Considerando apenas meses de março, é a taxa mais elevada desde março de 1995 (1,55%). 

Em 12 meses, o índice foi para 8,13%, o mais elevado desde dezembro de 2003 (9,30%). Segue, portanto, acima do teto da meta do governo para a inflação, de 6,5%. O acumulado no ano ficou em 3,83%, a maior taxa para um primeiro trimestre desde 2003, quando a alta foi de 5,13%. 

A energia elétrica foi, sozinha, responsável por mais da metade da alta de 1,32% registrada no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março. Com um aumento médio de 22,08%, o item teve um impacto de 0,71 ponto porcentual, o que representa 53,79% do IPCA do mês passado.

"Com a entrada em vigor, a partir de 02 de março, da revisão das tarifas aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), ocorreram aumentos extras, fora do reajuste anual, para cobrir custos das concessionárias com a compra de energia. Na mesma data, houve reajuste de 83,33% sobre o valor da bandeira tarifária vigente, a vermelha, passando de R$ 3,00 para R$ 5,50", destacou o IBGE.

No Rio de Janeiro, a variação da energia refletiu também o reajuste anual de 34,91% em uma das concessionárias, que entrou em vigor em 15 de março.Neste ano, a energia elétrica em todas as regiões já subiu em média 36,34%. Nos últimos 12 meses, a conta está 60,42% mais cara.

O resultado do mês de março fez com que o grupo Habitação registrasse o maior resultado do mês, com alta de 5,29%. A categoria ainda recebeu impactos de mão de obra para pequenos reparos (1,25%) e condomínio (0,96%).

Na sequência, o segundo maior impacto veio do grupo Alimentação e Bebidas, que avançou 1,17% e adicionou 0,29 ponto porcentual ao IPCA de março. Alguns alimentos registraram aumentos expressivos, como cebola (15,10%) e ovos (12,75%). 

Também ficaram mais caros o feijão-fradinho, as hortaliças, o tomate, o óleo de soja, o leite longa vida e o feijão-carioca. O pão francês subiu 0,93% em março, um dos destaques do mês, mas ainda assim desacelerou em relação a fevereiro (1,23%). Com o resultado do mês passado, os alimentos já ficaram 3,50% mais caros neste ano. Nos últimos 12 meses, a alta é de 8,19%.

Passagem aérea mais barata. Já o grupo Transportes desacelerou na passagem de fevereiro para março. No mês passado, o aumento foi de 0,46%, contra alta de 2,20% no segundo mês do ano. Entre os impactos negativos, as passagens aéreas se destacaram com queda de 15,45% em março.

Por outro lado, a gasolina ficou 1,26% mais cara, ainda reflexo do aumento nas alíquotas do PIS/COFINS que entrou em vigor em 1º de fevereiro. O litro do combustível totaliza 9,80% de aumento médio neste ano, atingindo alta de 11,49% em 12 meses.

O item ônibus urbano, por sua vez, subiu 0,85%, reflexo do impacto de aumentos em Goiânia (10,00%), onde o reajuste de 17,85% no valor das tarifas está em vigor desde o dia 16 de fevereiro; Porto Alegre (7,97%), onde o reajuste foi de 10,85% a partir de 22 de fevereiro, e Curitiba (3,40%), onde o reajuste de 15,78% vigora desde o dia 06 de fevereiro. 

"Neste ano, as tarifas de ônibus urbanos estão, em média, 11,91% mais caras, e ainda não foram reajustadas em quatro das 13 regiões pesquisadas", destacou o IBGE. Considerando os últimos 12 meses, a média é de 14,05%, com duas regiões sem reajuste.

Também no grupo dos Transportes, pressionaram o índice os itens seguro voluntário de veículo (3,05%), acessórios e peças (1,50%), automóvel usado (1,28%) e conserto de automóvel (1,15%).

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