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Inflação oficial vai a 9,56% em 12 meses, maior nível desde 2003

IPCA avança 0,62% em julho e 6,83% em 2015; alimentos têm a maior alta em três anos por causa do câmbio e da energia elétrica

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

07 de agosto de 2015 | 09h05

RIO - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,62% em julho, ante 0,79% em junho, divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar da desaceleração, que ocorreu em seis dos nove grupos pesquisados, a alta foi a maior para o mês desde 2004. As contas de energia elétrica, 4,17% mais caras, exerceram a principal pressão sobre o índice e ajudaram a encarecer os alimentos. O dólar mais alto também impactou os preços da alimentação. 

Com o resultado de julho, o IPCA acumula altas de 6,83% no ano e de 9,56% em 12 meses - ambos os maiores patamares desde 2003. As altas são bem superiores ao centro da meta estabelecido pelo governo, de 4,5% ao ano, com variação de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. 

Os meses de julho costumam ser de inflação baixa, mas isso não aconteceu em 2015, principalmente por causa dos alimentos. De 1994 para cá, o mês foi de deflação no item Alimentação e Bebidas em dez vezes - incluindo em 2014 e 2013. Mas, agora, os agricultores reclamam do dólar, que se soma à energia elétrica como um fator de encarecimento dos custos.

"Agricultores falam que isso pode levar a uma redução da área plantada, em especial aquelas (culturas) que dependem de irrigação", diz Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

Comprar adubos, por exemplo, fica mais caro diante do dólar valorizado. Além disso, a irrigação é cara, e fica ainda mais onerosa diante da energia elétrica em alta e também do avanço nas tarifas de água e esgoto.

"A redução de área plantada ocorre no feijão e no trigo. Muitos não têm conseguido plantar no tamanho de hectares que plantava antes. Além disso, o dólar também afeta a pecuária, por conta do aumento de preços da ração", explicou a coordenadora. Em julho, ficaram mais caros produtos como feijão-mulatinho, leite longa vida, macarrão, pão francês e biscoito.

"Ainda há o fato de que, nesse ano, a seca foi muito forte. Apesar de safra ser recorde, os produtos foram muito prejudicados no início do ano pela seca", acrescentou. O grupo Alimentação e Bebidas registrou alta de 0,65% no mês passado, a maior variação desde 2012, quando houve um forte choque na oferta de alimentos.

Energia. Principal vilã do IPCA, a tarifa de energia elétrica respondeu por 0,16 ponto porcentual da alta de 0,62% do mês passado. Segundo o IBGE, o avanço foi muito influenciado pelas regiões metropolitanas de Curitiba, onde aumentaram 11,40%, e São Paulo, onde a tarifa teve alta de 11,11%.

A taxa de água e esgoto e o condomínio mais caros também pressionaram o grupo Habitação, que avançou 1,52% em julho. Nas taxas de água e esgoto, o aumento médio foi de 2,44%. O avanço atingiu sete regiões, com destaque para Goiânia, onde a elevação foi de 19,56%. 

Com isto, o grupo Habitação ficou com o resultado mais elevado, sendo pressionado ainda pelos artigos de limpeza (0,65%), aluguel residencial (0,49%) e condomínio (0,49%). 

Plano de saúde. As mensalidades de plano de saúde também pesaram no bolso: alta de 1,59% em julho. O resultado reflete parte do reajuste de 13,55% concedido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) sobre os contratos individuais e familiares.

No grupo Saúde e Cuidados Pessoais, destacaram-se também os itens Artigos de higiene pessoal (0,92%), Serviços laboratoriais e hospitalares (0,62%) e Serviços médicos e dentários (0,48%). Ainda assim, o grupo desacelerou de 0,91% em junho para 0,84% em julho. 

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