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Inflação oficial da Argentina vai a 10,5%

Para oposição, porém, a alta dos preços é maior e chega a 25,4% em 12 meses

Ariel Palácios, correspondente, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2013 | 02h22

BUENOS AIRES - O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) anunciou que a inflação argentina de setembro foi de 0,8%. Em 12 meses, a inflação acumulada é de 10,5%. Essa alta, porém, é rechaçada por sindicatos, empresários, Igreja Católica e consultorias econômicas, que acusam o governo da presidente Cristina Kirchner de estar "maquiando" a inflação desde janeiro de 2007, quando a Casa Rosada decretou a intervenção do organismo.

Na avaliação dos economistas, há meia década a inflação real supera os índices da inflação oficial. De forma geral, o índice do governo Kirchner admitiu uma inflação que vai de um terço à metade da alta inflacionária calculada pelas consultorias econômicas.

Uma estatística paralela à do Indec, o Índice de Preços do Congresso Nacional, elaborado por parlamentares da oposição por meio de uma média dos cálculos de inflação das principais consultorias econômicas, apontou que a inflação de setembro foi de 2,1%, quase o triplo da oficial.

De acordo com os parlamentares, o índice real foi o mais elevado em um mês de setembro desde 1991. O índice do Congresso também indica que a inflação acumulada dos últimos doze meses é de 25,4%.

A inflação oficial do Indec tampouco é levada em conta pelo próprio Banco Central argentino, que em um recente relatório afirmou que a inflação acumulada nos últimos 12 meses é de 18,1%, ou seja, quase o dobro do admitido pelo governo Kirchner.

O governo tentou implementar um congelamento de preços para 12,5 mil produtos entre fevereiro e o fim de maio. Com o fracasso do plano, a Casa Rosada anunciou que a partir de junho entraria em vigência um congelamento reduzido, para 500 produtos. No entanto, o segundo plano também fracassou.

Efeitos políticos. Os analistas políticos afirmam que a escalada da inflação é um dos principais motivos para a queda da popularidade do governo Cristina Kirchner. Segundo as pesquisas, o governo sofreria uma dura derrota nas urnas nas eleições parlamentares do dia 27.

As empresas estrangeiras também reclamam da alta de preços, enquanto tentam driblar a perda de competitividade dos seus produtos. Algumas companhias, cansadas de enfrentar esse problema há meia década, optaram por deixar o país. Este é o caso da mexicana Electra, fabricante de eletrodomésticos, que no início do mês anunciou sua partida da Argentina alegando "a alta inflação e o contexto econômico".

Um relatório da Focus Economics indica que em média os bancos e consultorias econômicas calculam que a inflação do ano que vem será de 28,7%. Para este ano os economistas calculam uma inflação de 25,8%. O governo afirma que 2013 será encerrado com uma alta dos preços inferior a 11%.

Enquanto o governo Kirchner sofre duras críticas de economistas, empresários, entidades financeiras e organismos internacionais sobre a baixa credibilidade de suas estatísticas, o Ministério da Economia está na reta final dos diálogos com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para a apresentação de um novo índice de inflação.

O Indec enviará ao FMI sua proposta de nova medição da inflação na primeira quinzena de novembro. Caso o FMI aprove a nova modalidade estatística, a diretora-gerente do Fundo, Christine Lagarde, suspenderia a moção de censura aplicada à Argentina.

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