Inflação para baixa renda é mais que o dobro do que entre ricos

Segundo o Dieese, aumento dos preços dos alimentos prejudicou mais as famílias de baixo poder aquisitivo

Flavio Leonel, da Agência Estado,

03 de julho de 2008 | 14h39

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) informou nesta quinta-feira, 3, que a taxa de inflação para a população de menor poder aquisitivo, em junho, atingiu 1,48% e foi mais de duas vezes maior do que a observada para a população de maior renda na cidade de São Paulo. O destaque foi feito pela instituição por meio do Índice do Custo de Vida (ICV) do mês passado, que apresentou variação média de 0,97% ante uma alta de 0,87% em maio.   Veja também: Entenda a crise dos alimentos    Entenda os principais índices de inflação   Preço do feijão deve cair em 180 dias, afirma Stephanes Custo de vida em SP tem alta de 5,82% em 12 meses, diz Dieese   Além do ICV geral, o Dieese calcula mensalmente mais três indicadores de inflação, conforme os estratos de renda das famílias paulistanas. O primeiro grupo corresponde à estrutura de gastos de um terço das famílias mais pobres (com renda média de R$ 377,49); e o segundo contempla os gastos das famílias com nível intermediário de rendimento (renda média de R$ 934,17). O terceiro reúne as famílias de maior poder aquisitivo (renda média de R$ 2.792,90).   No primeiro grupo, de menor poder aquisitivo, o Dieese apurou que o ICV foi 0,20 ponto porcentual superior à variação de 1,28% de maio. No terceiro, de maior renda, a taxa de inflação foi de 0,72% ante 0,68% do mês anterior. No grupo intermediário, o ICV passou de 1,05% para 1,21% no período analisado.     Efeito maior dos alimentos   Segundo o Dieese, o forte aumento dos preços dos alimentos prejudicou muito mais as famílias de baixo poder aquisitivo, com contribuição de 1,28 ponto porcentual no resultado ICV deste estrato. Em junho, enquanto a alta média da Alimentação em São Paulo alcançou 2,88%, a taxa do mesmo grupo para os mais pobres atingiu 3,43%. Para o grupo intermediário, o valor médio dos alimentos subiu 3,23%. Para os mais ricos, avançou 2,39%. "Com esta alta estúpida de preços dos alimentos, quem acaba sofrendo mais são os mais pobres", disse a coordenadora de Pesquisa de Preços do instituto, Cornélia Nogueira Porto, em entrevista à Agência Estado.   De acordo com o Dieese, estes impactos acentuados têm origem na forma de gastos destas famílias, cujos gastos com alimentação representam 37,16% para as do primeiro estrato e 32,42% para as do segundo estrato. O efeito dos reajustes nos alimentos no cálculo da inflação do terceiro estrato foi de 0,55 ponto porcentual, bem inferior aos demais, por conta do peso menor que este grupo de despesa representa para as famílias de maiores rendas (23,23%).   Na outra ponta, o comportamento de baixa do grupo Transporte favoreceu mais a população de maior poder aquisitivo. Enquanto a queda média de preços do grupo chegou a 0,38% em toda a capital paulista, no caso dos mais ricos, o declínio alcançou 0,39% e aliviou a inflação em 0,07 ponto porcentual.   No caso dos mais pobres, o grupo apresentou queda de 0,23% e aliviou o ICV em apenas 0,03 ponto porcentual. Quanto ao estrato intermediário, o recuo foi de 0,38% e o alívio foi de 0,06 ponto. Segundo o Dieese, este comportamento advém da queda ocorrida no preço dos combustíveis, especialmente do álcool (-3,36%), que beneficiou mais as famílias de maior poder aquisitivo, que tem possibilidade maior de aquisição dos automóveis particulares.

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