Inflação para mais pobres é o dobro da apurada entre ricos

Alta de preços para grupo de menor poder aquisitivo foi de 0,53%, enquanto para ricos foi de 0,26%

Flavio Leonel, da Agência Estado,

06 de novembro de 2007 | 14h58

A taxa de inflação para a população de menor poder aquisitivo em outubro atingiu 0,53% e foi duas vezes maior do que a observada para a população de maior renda na cidade de São Paulo. A informação foi divulgada pelo Dieese, por meio do Índice do Custo de Vida (ICV) do mês passado, que apresentou variação média de 0,33% ante uma alta de 0,30% em setembro. Além do ICV geral, o Dieese calcula mensalmente mais três indicadores de inflação, conforme os estratos de renda das famílias paulistanas. O primeiro grupo corresponde à estrutura de gastos de um terço das famílias mais pobres (com renda média de R$ 377,49); e o segundo contempla os gastos das famílias com nível intermediário de rendimento (renda média de R$ 934,17). Já o terceiro reúne as famílias de maior poder aquisitivo (renda média de R$ 2.792,90). No primeiro grupo, de menor poder aquisitivo, o Dieese apurou que o ICV foi 0,04 ponto porcentual superior à variação de 0,49% de setembro. No terceiro, de maior renda, a taxa de inflação foi de 0,26% ante 0,24% do mês anterior. No grupo intermediário, o ICV passou de 0,35% para 0,38% no período analisado. Alimentação faz a diferença De acordo com o Dieese, a alta do grupo alimentação, de 0,99% no ICV geral, foi a maior responsável pela diferença entre os estratos de renda analisados. Para a instituição, os reajustes nos alimentos, com origem, principalmente, nos produtos in natura e semi-elaborados, especialmente o feijão, afetaram mais as famílias de menor nível de rendimento, com contribuição de 0,39 ponto porcentual na taxa de 0,53%. Estes mesmos reajustes tiveram impacto menor nos demais estratos: de 0,30 ponto para o segundo e de 0,21 ponto porcentual para as famílias com maior poder de compra. Fenômeno parecido aconteceu nos reajustes do grupo habitação, cuja origem encontra-se nos aumentos de gás de cozinha, água, telefone e aluguéis - que pesam proporcionalmente mais para famílias de menor poder aquisitivo. Desta maneira, estes aumentos resultaram nas seguintes contribuições: 0,13 ponto porcentual para o primeiro estrato; 0,12 ponto para o segundo; e 0,08 ponto porcentual para o terceiro. Em contrapartida, a queda no grupo transporte - originária do comportamento dos preços dos combustíveis - beneficiou mais as famílias de maior poder aquisitivo, com contribuição negativa de 0,07 ponto porcentual no cálculo da taxa de inflação, segundo o Dieese. No estrato intermediário, a contribuição foi de -0,06 ponto e, entre a população de menor renda, o benefício foi praticamente nulo, de -0,02 ponto porcentual.  Nos primeiros dez meses de 2007, o ICV acumulou alta de 3,38%. Nos últimos 12 meses encerrados em outubro, a variação positiva acumulada foi de 4,39%.

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