Inflação pelo IGP - 10 tem maior taxa desde julho de 2008

Índice Geral de Preços acelerou para 1,08%, após subir 0,20% em janeiro

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

12 de fevereiro de 2010 | 09h33

A inflação medida pelo IGP-10 subiu 1,08% em fevereiro após avançar 0,20% em janeiro, a maior taxa desse indicador desde julho de 2008, segundo informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta sexta-feira. O resultado de fevereiro ficou dentro das previsões dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE-Projeções, que esperavam uma taxa entre 0,65% e 1,30%, mas acima da mediana das expectativas (0,99%).

 

No caso dos três indicadores que compõem ao IGP-10 de fevereiro, o IPA-10 teve alta de 1,15% este mês, após subir 0,07% em janeiro. Por sua vez, o IPC-10 apresentou avanço de 1,09% em fevereiro, em comparação com a alta de 0,52% no primeiro mês do ano. Já o INCC-10 teve taxa positiva de 0,55% em fevereiro, em comparação com o aumento de 0,30% em janeiro. O período de coleta de preços para o IGP-10 desse mês foi do dia 11 de janeiro a 10 de fevereiro. 

 

Açúcar, laranja e cana pressionam no atacado

 

Até fevereiro, o IPA-10, que o IPA-10 representa 60% do total do IGP-10, acumula alta de 1,22% no ano, mas registra queda de 2,23% em 12 meses.

 

A FGV informou ainda que, entre os produtos pesquisados, as altas mais expressivas de preço no atacado no IGP-10 de fevereiro foram registradas em açúcar cristal (18,89%); laranja (34,33%); e cana-de-açúcar ( 3,28%). Já as mais expressivas quedas de preço no atacado foram verificadas em soja em grão (-11,08%); milho em grão ( -4,17%); e farelo de soja ( -5,66%).

 

De acordo com a fundação, os preços dos produtos agrícolas no atacado registram quedas de 0,77% no ano e de 5,17% em 12 meses até fevereiro, no âmbito do IGP-10. Já os preços dos produtos industriais no atacado mostram aumento de 1,87% no ano e taxa negativa de 1,27% em 12 meses, até o segundo mês do ano.

 

No âmbito do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais no atacado já registram aumentos de 1,80% no ano e de 2,60% em 12 meses. Por sua vez, os preços dos bens intermediários acumularam alta de 1,65% no ano, mas ainda registram queda de 3,38% em 12 meses até fevereiro. Por fim, os preços das matérias-primas brutas mostraram deflações de 0,35% no ano e de 6,86% em 12 meses, até o segundo mês do ano.

 

No varejo, laranja (34,33%) e tarifa de ônibus (7,16%) têm alta

 

A inflação do varejo medida pelo IPC-10, que representa 30% do total do IGP-10,  acumula altas de 1,61% no ano e de 4,45% em 12 meses até fevereiro.

 

De acordo com a fundação, a aceleração na taxa do IPC-10, de janeiro para fevereiro deste ano (de 0,52% para 1,09%) foi causada por principalmente taxas de inflação mais intensas nos grupos Transportes (de 1,04% para 3,38%); e Alimentação (de 0,77% para 1,35%). Na primeira classe de despesa, houve aumento mais intenso no preço de tarifa de ônibus urbano (de 1,89% para 7,16%). Já na segunda classe de despesa ocorreram acelerações de preços em hortaliças e legumes (de 1,19% para 2,86%) e em laticínios (de 0,01% para 1,78%).

 

Das sete classes de despesa usadas para cálculo do IPC-10, seis apresentaram acréscimos em suas taxas de variação de preços. É o caso de Habitação (de 0,18% para 0,28%); Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,25% para 0,35%); Educação, Leitura e Recreação (de 0,52% para 1,86%); e Despesas Diversas (de 0,17% para 0,50%). O único grupo a apresentar recuo de preços, no período, foi o de Vestuário (de 0,79% para -0,26%).

 

Na análise por produtos, as altas de preço mais expressivas no varejo no IGP-10 de fevereiro foram registradas na tarifa de ônibus urbano; laranja (34,33%); e cana-de-açúcar (3,28%). Já as mais significativas quedas de preço foram apuradas em tomate (-11,05%); passagem aérea (-10,51%); e limão (-20,21%).

 

Custo da construção civil sobe com ajudante, vale transporte e servente

 

Na construção civil, a inflação medida pelo INCC-10, que representa 10% do total do indicador,  acumula taxas de 0,85% no ano e de 3,55% em 12 meses até fevereiro.

 

De acordo com a FGV, a aceleração na taxa do INCC-10, de janeiro para fevereiro deste ano (de 0,30% para 0,55%) foi influenciada por aumentos mais intensos nos preços de mão-de-obra (de 0,30% para 0,59%); e materiais, equipamentos e serviços (de 0,29% para 0,51%).

 

A FGV informou que, na avaliação do comportamento dos preços no âmbito de produtos, as altas de preço mais expressivas na construção civil, dentro do IGP-10 de fevereiro, foram registradas em ajudante especializado (0,50%); vale transporte (5,16%); e servente (0,56%). Já as mais expressivas quedas de preço foram apuradas em tinta a base de PVA (-0,60%); perna 3x3/estronca de 3ª (-0,36%); e compensados (-0,43%).

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