Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Inflação pelo IPCA-15 sobe 1,06% em dezembro, maior alta para o mês desde 2015

Com o resultado, índice acumula elevação de 4,23% no ano, maior avanço desde 2016, aponta o IBGE

Daniela Amorim e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2020 | 09h23

RIO e SÃO PAULO – A prévia da inflação oficial no País subiu 1,06% em dezembro, o maior resultado para o mês desde 2015, segundo os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Houve pressão dos alimentos, mas também dos aumentos na energia elétrica, passagens aéreas e combustíveis.

O resultado, no entanto, ficou abaixo da expectativa mediana de 1,16% apontada por analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast. No ano, o IPCA-15 fechou em 4,23%, um pouco acima da meta de 4% perseguida pelo Banco Central, mas com bastante folga dentro da margem de tolerância de até 5,5%.

Segundo Marcio Milan, analista da Tendências Consultoria Integrada, o IPCA fechado de dezembro deve trazer uma aceleração em relação ao resultado do IPCA-15. “O índice deve continuar sendo pressionado por um conjunto de fatores no fechamento do mês. Por um lado, os preços de energia devem acelerar mais, dado o impacto maior da mudança de bandeira tarifária para patamar vermelha dois. Os preços de combustíveis também devem continuar exercendo pressões de alta sobre o índice neste mês, em linha com o repasse dos reajustes efetuados recentemente. Em contrapartida, os preços de alimentos devem subir menos em relação ao IPCA-15, trazendo algum alívio para o índice”, avaliou.

Energia e transporte

Em dezembro, os aumentos nos itens energia elétrica, carnes, passagem aérea e gasolina responderam por mais da metade da inflação do mês. A conta de luz subiu 4,08%, pressionada pela entrada em vigor da bandeira tarifária vermelha patamar 2, com acréscimo de R$ 6,243 a cada 100 quilowatts-hora consumidos, após 10 meses consecutivos de vigência da bandeira tarifária verde, em que não há cobrança adicional.

As passagens aéreas avançaram 28,31%. A gasolina aumentou 2,19%, enquanto o etanol ficou 4,08% mais caro. Os preços dos alimentos tiveram uma elevação de 2,00% em dezembro. As famílias pagaram mais pelas carnes (5,53%), arroz (4,96%), frutas (3,62%), batata-inglesa (17,96%) e óleo de soja (7,00%). Por outro lado, ficaram mais baratos o tomate (-4,68%), alho (-2,49%) e leite longa vida (-0,74%).

Para o economista-chefe da AZ Quest, André Muller, os resultados do IPCA-15 corroboram que o choque sobre a inflação é temporário. Depois da divulgação, Muller reduziu a projeção para o IPCA de 2020, de 4,45% para 4,36%. Para 2021, a expectativa segue em 3,50%, aquém do alvo central de 3,75% perseguido pelo BC.

Segundo ele, um ponto crucial do IPCA-15 de dezembro foi o aumento mais brando que o esperado em Educação. Havia uma expectativa de recomposição maior dos descontos dados pelas escolas ao longo do ano devido ao impacto provocado pela crise da pandemia de covid-19. O IBGE realizou uma coleta extraordinária de preços de mensalidades em dezembro para captar possíveis aumentos decorrentes da retomada das aulas presenciais. "Mas pouquíssima parte (do desconto concedido) foi revertido", apontou Muller.

A taxa do grupo Educação subiu 0,34% em dezembro. Os cursos regulares aumentaram 0,44%. Houve reajustes na educação de jovens e adultos (3,91%), creche (1,48%) e ensino médio (1,10%). No entanto, os preços recuaram no curso técnico (-0,81%) e na pós-graduação (-0,72%).

"Mostra a dificuldade do setor de educação de retomar. Não deu para recuperar as perdas ao longo do ano, o que evidencia que a dicotomia entre os setores na retomada econômica segue bastante forte", disse o economista Leonardo França Costa, do grupo de investimento ASA Investments.

Alimentos

O aumento nos preços dos alimentos foi responsável por quase dois terços da inflação de 2020 medida pelo IPCA-15. O grupo Alimentação e bebidas acumulou um aumento de 14,36% neste ano, o equivalente a uma contribuição de 2,78 pontos porcentuais para a taxa de 4,23% do IPCA-15 do período.

As carnes e o arroz foram os itens de maior impacto no IPCA-15 do ano. As carnes ficaram 22,90% mais caras, um impacto de 0,60 ponto porcentual na inflação, enquanto o arroz subiu 72,46%, com contribuição de 0,33 ponto porcentual.

A mudança nos padrões de consumo das famílias em função da pandemia do novo coronavírus também impactou os resultados. Enquanto os Artigos de residência subiram 5,29% este ano, o grupo Vestuário acumulou recuo de preços de 1,75%.

Os demais avanços de preços no ano ocorreram nos grupos Habitação (3,10%), Transportes (1,36%), Saúde e cuidados pessoais (1,11%), Despesas pessoais (0,97%), Educação (1,23%) e Comunicação (3,22%).

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