Inflação pelo IPCA no 1º semestre é a maior em cinco anos

Índice cai para 0,74% em junho, mas alimentos ainda pressionam; indicador é usado pelo BC para definir metas

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

10 de julho de 2008 | 09h06

A inflação de junho pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,74% ante 0,79% em maio, segundo divulgou nesta quinta-feira, 10, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice acumula alta de 3,64% no primeiro semestre até junho. Trata-se da maior taxa para um primeiro semestre apurada no IPCA desde 2003 (quando chegou a 6,64%). Já no período de 12 meses, até o mês passado, a inflação pelo indicador é de 6,06%, a maior variação acumulada em 12 meses desde novembro de 2005.   Veja também: De olho na inflação, preço por preço  Entenda os principais índices  Entenda a crise dos alimentos   Inflação é menor, mas ainda preocupa, diz Bernardo 'Não é improvável' que IPCA supere o teto da meta, diz IBGE   O IPCA é o índice oficial utilizado pelo Banco Central para cumprir o regime de metas de inflação, determinado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O centro da meta de inflação para 2008 foi estabelecido em 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo.   O grupo de alimentos contribuiu com 0,47 ponto porcentual, ou 63% da inflação apurada no mês. Os produtos alimentícios registraram alta de 2,11% no IPCA em junho, ante 1,95% em maio. Os alimentícios já acumulam alta de 8,64% no primeiro semestre e de 15,79% em 12 meses. As principais variações nesse grupo em junho foram registradas no arroz (9,90%); feijão carioca (15,55%) e carnes (6,91%). O item carnes deu a maior contribuição individual (0,14 ponto porcentual) no IPCA de junho.   A "pequena desaceleração" apurada no IPCA de junho (0,74%) em relação a maio (0,79%) foi provocada pelo grupo dos produtos não alimentícios, segundo observou a coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos. Em junho, esse grupo registrou alta de 0,34%, ante 0,46% em maio.   Os reajustes registrados nesse grupo em junho foram apurados no gás encanado (8,76%); gás veicular (8,31%); passagens aéreas (3,70%); artigos de higiene pessoal (1,29%), artigos de limpeza (1,33%) e salário de empregado doméstico (1,04%).   No que diz respeito aos combustíveis, não houve variação de preços em junho, já que as altas no gás veicular e no óleo diesel (1,53%) foram compensadas pelas quedas nos preços do álcool (-1,94%) e da gasolina (-0,08%).   INPC   O INPC, que mede a inflação para a camada de renda mais baixa da população, registrou alta de 0,91% em junho, ante 0,96% em maio. Como os alimentos têm peso mais forte no INPC, a variação desse índice foi superior a do IPCA (0,74%) no mês. No ano, o INPC já acumula no primeiro semestre alta de 4,26% e em 12 meses, de 7,28%.   A coordenadora Eulina Nunes dos Santos disse que a alta acumulada de 7,28% no INPC em 12 meses até julho está bem acima do IPCA do período (6,06%) porque "as famílias de menor poder aquisitivo são especialmente prejudicadas pela pressão dos alimentos".   O INPC em 12 meses em junho é a maior taxa desse indicador em 12 meses apurada pelo IBGE desde fevereiro de 2004. No acumulado do primeiro semestre (4,26%) o INPC é o maior para o período desde 2003. Enquanto o IPCA mede a inflação para famílias com renda de um a 40 salários mínimos, no caso do INPC a faixa de rendimento é de um a seis salários mínimos.

Mais conteúdo sobre:
inflaçãoIPCA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.