Maira Vieira/Estadão
Maira Vieira/Estadão

Inflação pesou menos para os mais pobres em novembro, diz Ipea

Redução dos preços dos alimentos foi principal motivo do alívio no orçamento das famílias de menor poder aquisitivo

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2017 | 00h10

RIO – Os brasileiros mais pobres sentiram menos o impacto dos aumentos de preços na economia em novembro, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda de novembro aponta que a população de renda muito baixa foi afetada por uma inflação de 0,07% no mês ante taxa de 0,34% na faixa de renda alta.

O indicador separa por seis faixas de renda familiar as variações de preços medidas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os grupos vão de renda familiar de até R$ 900 por mês, no caso da faixa com renda muito baixa, até renda mensal familiar acima de R$ 9 mil, no caso da renda alta.

++Pela primeira vez, Banco Central terá de explicar inflação abaixo da meta

No mês, o IPCA foi de 0,28%. De janeiro a novembro, a inflação dos mais pobres acumula alta de 1,83%, resultado inferior ao registrado pela classe de renda mais alta, que sentiu aumento de preços de 3,22% no período. O IPCA no ano foi de 2,80%.

A redução dos preços dos alimentos foi o principal responsável pelo arrefecimento da inflação em 2017, o que se refletiu, especialmente, num alívio sobre o orçamento das famílias de menor poder aquisitivo, afirmou José Ronaldo de Castro Souza Júnior, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea.

Os alimentos são o grupo de maior peso nos gastos totais das famílias mais pobres. A deflação de 0,38% nos alimentos em novembro contribuiu para diminuir em 0,16 ponto porcentual a inflação da renda mais baixa, enquanto que para a classe mais rica a ajuda foi de -0,05 ponto porcentual.

"O grupo Transportes teve impacto diferenciado entre as faixas de renda. Como alguns transportes públicos ficaram mais baratos, eles contribuíram para reduzir a inflação entre as famílias mais pobres. Mas, como os combustíveis ficaram mais caros e as famílias mais ricas usam mais os automóveis, o grupo pesou mais na inflação da renda mais alta", explicou Souza Júnior.

As tarifas dos ônibus urbanos (0,6%) e interestaduais (1,6%) recuaram em novembro, dois itens de grande peso no orçamento dos mais pobres. Em contrapartida, a alta de 2,9% no preço da gasolina impactou a taxa das classes mais ricas, que tem gasto com combustíveis maior.

Os reajustes das tarifas de energia elétrica (4,2%) e do gás de botijão (1,6%) significaram aumento de 0,29 ponto porcentual na inflação dos mais pobres, mas apenas 0,11 ponto porcentual na taxa sentida pelos mais ricos.

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