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Inflação pode voltar para meta sem paulada nos juros

O Banco Central não será obrigado a dar uma pancada forte nos juros para trazer a inflação para a meta de 4,5% em 2011 porque parte do ajuste já foi feito. Nos cálculos do BC, o aumento do compulsório (dinheiro que bancos recolhem ao BC) e as medidas prudenciais para conter o ritmo do crédito, adotadas no dia 3 de dezembro, correspondem a uma alta de pelo menos 0,75 ponto porcentual na taxa Selic, o que já representa "uma paulada" no ritmo da atividade econômica.

Bastidores: Beatriz Abreu, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2010 | 00h00

O cenário deste final de ano - com a inflação, a demanda e o crédito em alta- levou o BC a considerar que as estimativas do mercado podem estar corretas e, provavelmente, uma alta de 2 pontos porcentuais na Selic seria necessária em 2011. O BC nem pensou na possibilidade de, numa só tacada, "resolver o problema". Optou pela prudência e atacou, primeiro, a oferta de crédito e, depois, a inflação. Por isso, aumentou os compulsórios e adotou as medidas prudenciais.

Com a mensagem explícita do Relatório de Inflação de que o Copom se reúne nos dias 18 e 19 de janeiro para aumentar a taxa Selic, hoje de 10,75% ao ano, o índice poderá retornar ao centro da meta mais rápido do que se pensa. Essa possibilidade considera o câmbio estável. O Relatório indica que a inflação está em 5% no próximo ano.

Traduzindo em números, só este mês o BC provocou uma contração da economia de pelo menos 0,75%, sendo 0,5 ponto porcentual do compulsório e 0,25% ponto (pelo menos) da retração provocada pelas medidas prudenciais. Como o Copom vai subir a Selic em 0,5 ponto porcentual, na maioria das apostas, o ajuste em dois meses corresponderá a uma alta de 1,25 ponto porcentual nos juros.

A questão, mais uma vez, é de gradualismo na dosagem de alta na Selic para alcançar o objetivo. A diretoria manterá essa estratégia para avaliar se mantém ou não nessa nova escalada da Selic. Para o BC, o gradualismo é necessário porque a economia brasileira tem um quadro de alta volatilidade. O IBC-BR, por exemplo, mostrou a produção estagnada entre maio a agosto, correspondendo ao período da retirada dos estímulos monetários e fiscais, adotados na crise, e aos efeitos da alta da Selic em 2009. Segundo uma fonte, se em abril o BC tivesse modificado a trajetória da taxa teria cometido um erro. Naquela época, as chances de errar eram grandes. Em setembro, o mercado foi surpreendido com o índice demonstrando um crescimento anualizado de 7%.

"Esses dados não estão disponíveis em tempo real", comentou uma fonte.

Essa demonstração da estratégia adotada confirma a posição do BC de que não houve mudança de cenário entre o texto da Ata e do Relatório, como interpretou parte do mercado. O que diferencia os dois comunicados, segundo fontes do governo, é a linguagem adotada. Como a maioria do mercado interpretou a Ata como um sinal de que os juros não seriam elevados no curto prazo, o Banco Central entendeu que era melhor corrigir as expectativas, abandonar a linguagem ambígua e deixar claro que a taxa Selic será elevada na próxima reunião do Copom, em janeiro.

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