Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Inflação e aumento dos preços leva mais 71 milhões de pessoas à pobreza desde março, diz ONU

De acordo com o relatório do Pnud, a alta no custo de alimentos e energia desencadearam uma crise com impacto devastador nas famílias mais pobres

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2022 | 13h02

O aumento global nos preços levou mais 71 milhões de pessoas que vivem em países em desenvolvimento à pobreza desde março, segundo relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), publicado na quinta-feira, 7. 

Segundo o Pnud, a alta nos preços, principalmente de alimentos e de energia, que estão ligados, em parte, com a guerra na Ucrânia, desencadearam uma crise de custo de vida sem precedentes e que está tendo um impacto devastador nas famílias mais pobres. 

O relatório traz a análise de 159 países em desenvolvimento e aponta algumas regiões em que a crise tem mais impacto, como a África Subsaariana, os Balcãs e a região do Mar Cáspio. 

"O impacto nas taxas de pobreza é drasticamente mais rápido do que o choque da pandemia de covid-19", disse o administrador do Pnud, Achim Steiner, durante a apresentação do relatório. 

Os desafios enfrentados pelos países em desenvolvimento, com aumento de juros em resposta à alta da inflação, muitas vezes não podem ser resolvidos sem a atenção da comunidade internacional, segundo a agência da ONU

O relatório conclui que transferências diretas de dinheiro para famílias vulneráveis, com prazo determinado, são a medida mais eficaz para lidar com os impactos. Já os subsídios energéticos em que muitos governos apostam seriam menos eficazes, beneficiando desproporcionalmente os mais ricos. 

"Embora os subsídios gerais à energia possam ajudar no curto prazo, no longo prazo eles impulsionam a desigualdade, exacerbam ainda mais a crise climática e não suavizam o golpe imediato do aumento dos custos de vida tanto quanto as transferências de dinheiro”, disse George Gray Molina, um dos autores do relatório, em comunicado. Segundo o especialista, o subsídio é “um remendo” que oferece algum alívio imediato, mas pode acabar por ser prejudicial a longo prazo. / COM EFE

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