Inflação preocupa e só está baixa nos preços administrados, diz economista

Para Mansueto Almeida, produzir no Brasil é muito caro e é por isso que a indústria nacional não reage

Laís Alegretti e Adriana Fernandes, da Agência Estado,

14 de agosto de 2013 | 17h17

BRASÍLIA - O economista Mansueto Almeida, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), afirmou que a inflação que está baixa no Brasil é aquela dos preços administrados, como as tarifas de transportes e o custo da gasolina. Ele fez uma apresentação a parlamentares como contraponto ao discurso do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland. Eles participou de um seminário sobre política macroeconômica brasileira, promovido pela liderança do PMDB na Câmara dos Deputados.

Mansueto disse que a inflação "preocupa muito". "É possível uma cidade passar 4 anos sem aumento na tarifa? Há uma inflação grande represada", disse. "Possivelmente a inflação fechará em 5,7% ou 5,8% neste ano." Durante a apresentação, ele defendeu que é muito caro produzir no Brasil e que, por isso, a indústria nacional não conseguiu acompanhar o crescimento das vendas. "Depois da crise de 2008, a produção da indústria despenca, retorna, e não consegue mais crescer. A indústria de transformação no Brasil perdeu dinamismo. O Brasil hoje é um país caro pra comprar um carro de bebê e o carro do pai do bebê", disse.

Mansueto defendeu que o País invista em aumento de produtividade e disse que o problema não é de demanda, e sim de custo. "O Brasil não vai conseguir concorrer com país que tem baixo custo de mão de obra, e nem é o que a gente quer. A gente tem que concorrer com países com salários e produtividade elevados. Esse é nosso cenário. Não teve falta de demanda no Brasil."

Em relação ao barateamento do custo de energia, citado por Holland, Mansueto disse que, ao mesmo tempo, o preço do gás nos Estados Unidos é um quarto do valor no Brasil. "Outros países também estão tendo redução de custos", disse.

O economista falou, ainda, que o investimento do Brasil caiu e o déficit em conta corrente aumentou. "Isso é muito ruim porque todos os países do mundo, no processo de crescimento, aumentaram poupança", disse. Ele citou a Coreia do Sul, que cresceu aumentando taxa de poupança, que chegou a 32% do PIB. "Esses países poupavam mais e aumentavam a independência deles. O Brasil, de 1960 a 2010, não aumentou sua taxa de poupança", disse.

Ele reforçou que agora a população brasileira vai crescer menos e será necessário aumentar a produtividade para gerar crescimento na economia. Outro problema apresentado por Mansueto é a relação comercial com outros países. Segundo ele, a China importa o equivalente a 27% do PIB dela e o Brasil, 12%. "O Brasil ainda é relativamente uma economia fechada. Brasil não está integrado ao comercio internacional como estão nossos concorrentes. A gente não vai conseguir ser competitivo na indústria sendo uma economia fechada", avaliou.

Também em resposta a Holland, Mansueto disse que o Brasil tem dívida bruta "altíssima". "O custo da nossa dívida é alto. A Selic caiu para 7,25% no ano passado, mas apesar isso, os juros da dívida liquida não caíram", disse. Sobre o crescimento do PIB, Mansueto disse que "estamos caminhando para algo como 2,3%".

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