Inflação preocupa governo e Lula mobiliza conselho econômico

Presidente encontra-se com Mantega para discutir surto inflacionário; alta do preço dos alimentos será o foco

Da redação,

19 de junho de 2008 | 08h49

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutirá nesta quinta-feira, 18, o aumento da inflação com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, integrantes da equipe econômica e economistas de fora do governo. A discussão deve ter como foco a alta dos preços dos alimentos - os grandes vilões do atual surto inflacionário. O cenário que vem sendo traçado no ministério e que deverá ser apresentado por Mantega é de que parte significativa da aceleração inflacionária no País é decorrente de fatores externos, choques de commodities, como petróleo e minérios, e de alimentos.   Veja também: Inflação precisa de uma força-tarefa do governo A inflação e a estratégia para 2010 Preço do petróleo em alta Entenda a crise dos alimentos  Entenda os principais índices de inflação    O encontro ocorre logo após o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reconhecer a possibilidade "teórica" de a inflação oficial - o Índice de preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - superar neste ano o teto da meta de 6,5%, algo antes tido como inconcebível. Meirelles reafirmou a preocupação do governo ao jornal Financial Times e disse que a "inflação é a principal ameaça para o Brasil e o resto do mundo".   A inflação oficial de maio (0,79%) superou de longe a apurada no mesmo mês do ano passado (0,28%) e foi puxada especialmente pelos alimentos, que já acumulam alta de 6,40% em 2008, bem acima da variação acumulada em todo o ano passado (2,81%).  Em maio de 2007 a taxa acumulava alta de 3,18% e em 2008 já chega a 5,58%, bem acima do centro da meta.   Mantega e sua equipe, porém, avaliam que o IPCA fechará este ano dentro do intervalo da meta de inflação. A avaliação é que os índices de preços ainda virão com números salgados até o terceiro trimestre, recuando a partir do fim do ano. O raciocínio é que, a partir do fim do ano, as medidas adotadas pelo governo contra a inflação já estarão plenamente atuando sobre a economia brasileira.   Nesta quinta, os institutos dão uma trégua na divulgação de alarmantes indicadores de preços, após uma quarta-feira preocupante. Segundo anunciou a FGV, o Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) subiu 1,96% em junho e acumula elevação de 12,71% em 12 meses. O repasse do atacado para o varejo continua e o grupo Alimentação foi novamente destaque, com forte aceleração (de 1,70% para 2,40%), de maio para junho.   A última prévia do Índice Geral de Preços - Mensal (IGP-M) também trouxe preocupação ao mercado. O indicador subiu para 1,97% e ficou bem acima das estimativas dos analistas. Usado na correção dos contratos de aluguel, o índice acumula elevação de 13,43% em 12 meses, até a primeira prévia de junho. A alta nos preços das matérias-primas brutas também chamou a atenção, já que as commodities minerais acumulam alta de 38,80% em 12 meses - apesar da leve desaceleração apresentada na prévia.   A preocupação com a inflação ganha, cada vez mais, proporções mundiais. Nesta quinta-feira, o chefe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Kemal Dervis, afirmou que o aumento nos preços dos alimentos e do petróleo é mais profundo e mais permanente do que as mudanças de preço vistas no passado, segundo a agência de notícias Ihlas. Segundo ele, os preços do petróleo no curto prazo podem cair cerca de US$ 20, mas nunca recuarão para os níveis vistos no passado recente.         Também participarão do encontro com o presidente, como convidados, os economistas Luiz Gonzaga Belluzzo, Delfim Netto e Luciano Coutinho, atual presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).   (com Fabio Graner, Leonencio Nossa e Deise Vieira, da Agência Estado)

Tudo o que sabemos sobre:
inflaçãoLulaalimentos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.