Wilton Junior/ Estadão
Wilton Junior/ Estadão

Economistas do mercado aumentam projeção de inflação para o ano pela 4ª semana seguida

Este é o primeiro Relatório Focus após o Banco Central ter elevado a Selic a 10,75% na semana passada

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2022 | 08h32
Atualizado 07 de fevereiro de 2022 | 17h57

Economistas do mercado financeiro veem, semana após semana, a inflação esperada para este ano se distanciar da meta que precisa ser seguida pelo Banco Central (BC), indicando o segundo ano consecutivo de descumprimento.

A projeção apurada para IPCA, o índice de inflação oficial, de 2022 avançou pela quarta semana consecutiva no Relatório Focus, se afastando ainda mais do teto da meta deste ano (5%).

A estimativa avançou de 5,38% para 5,44%, de 5,03% há um mês. O objetivo a ser perseguido pelo Banco Central este ano é de 3,50%, com tolerância de 2,0% a 5,0%. Ou seja, o Boletim Focus segue indicando o segundo ano consecutivo de rompimento da meta, após o desvio de 4,81 pontos porcentuais do IPCA de 2021 (10,06%).

Este é o primeiro Relatório Focus divulgado após o BC ter elevado a Selic em 1,50 ponto porcentual na semana passada, para 10,75% ao ano – o maior patamar desde maio de 2017.

Já a expectativa para o IPCA em 2023 permaneceu em 3,50%, mantendo-se acima do centro da meta (3,25%, banda de 1,75% a 4,75%). A mediana era de 3,36% há quatro semanas.

No comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) deste mês, o BC também passou a esperar novo rompimento da meta este ano, com a projeção subindo de 4,7% para 5,40%. Para 2023, a estimativa seguiu em 3,2%. 

No Boletim Focus, a mediana para 2024 continuou em 3,00%, assim como a de 2025 (3,0%). Há quatro semanas, ambas as projeções eram de 3,00%. A meta para 2024 é de 3,00%, com margem de 1,5 ponto porcentual (de 1,5% a 4,5%). Para 2025, por sua vez, a meta ainda não foi definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Selic

Após sinalização direta do Copom de que deve reduzir o ritmo de alta da taxa Selic no próximo encontro, os economistas do mercado financeiro mantiveram a projeção para os juros básicos da economia no fim de 2022. A projeção continuou em 11,75%, conforme o Relatório de Mercado Focus, mesmo porcentual de um mês atrás. Mas, considerando apenas as 45 respostas nos últimos cinco dias úteis, a expectativa para a Selic no fim deste ano cedeu de 11,88% para 11,75%.

“Em relação aos seus próximos passos, o Comitê antevê como mais adequada, neste momento, a redução do ritmo de ajuste da taxa básica de juros. Essa sinalização reflete o estágio do ciclo de aperto, cujos efeitos cumulativos se manifestarão ao longo do horizonte relevante”, disse o Copom, após elevar a Selic em 1,50 ponto porcentual este mês.

O colegiado, porém, repetiu que irá perseverar na estratégia de aperto monetário “até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”, preocupado com o aumento das projeções de inflação e o risco de descolamento da inflação em prazos mais longos.

No Boletim Focus, o cenário para a taxa básica de juros da economia foi mantido para os anos seguintes. A estimativa do Focus para a taxa Selic no fim de 2023 continuou em 8,00%, ante igual taxa há quatro semanas. Para 2024, ficou em 7,00%, mesmo porcentual de um mês atrás. Da mesma forma, a previsão para o fim de 2025 continuou em 7,00%, repetindo a taxa de quatro semanas atrás.

PIB

O Relatório de Mercado Focus mostrou manutenção na expectativa mediana para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2022, em 0,30%. Há um mês, a estimativa era de 0,28%. Mas considerando apenas as 23 respostas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa para o PIB no fim de 2022 cedeu de 0,32% para 0,21%.

O Boletim não traz mais a expectativa para o resultado do PIB do ano passado. Para 2023, a mediana passou de 1,55% para 1,53% - de 1,70% há quatro semanas. Para 2024, a estimativa seguiu em 2,00%, mesma projeção de quatro semanas atrás. O Relatório Focus ainda trouxe a mediana para 2025, que também continuou em 2,00%. Há um mês, a estimativa de crescimento do PIB em 2025 já era de 2,0%.

 

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