JF Diório/Estadão
JF Diório/Estadão

Inflação sobe 0,25% em fevereiro, no menor resultado para o mês desde 2000

IPCA acelerou em relação à alta de 0,21% em janeiro; com os reajustes no início do ano letivo, o grupo educação teve o maior aumento no mês

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2020 | 09h28

RIO - A inflação oficial no País subiu 0,25% em fevereiro, menor resultado para o mês em duas décadas, segundo os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 11. Apesar da pressão sazonal dos reajustes das mensalidades escolares, houve redução nos preços das carnes, na conta de luz, gasolina e passagens aéreas.

As famílias gastaram menos com habitação, transportes, vestuário e artigos de residência em fevereiro. A energia elétrica encolheu 1,71%, com contribuição de -0,08 ponto porcentual para o IPCA de fevereiro, em função da entrada em vigor da bandeira tarifária verde, em que não há cobrança adicional na conta de luz.

Passado o choque de preços, os preços das carnes recuaram 3,53% em fevereiro, após uma queda de 4,03% em janeiro. O item deu a maior contribuição negativa para a inflação do último mês: -0,09 ponto porcentual. Nos dois primeiros meses do ano, as carnes ficaram 7,42% mais baratas.

“O Rio foi a região que teve maior queda nos preços. Foi por uma dinâmica do comércio local. No Rio de Janeiro, as carnes caíram mais de 16,16% nos dois primeiros meses do ano”, ressaltou Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE.

Apesar da trégua das carnes, as famílias pagaram mais pelo tomate (18,86%) e pela cenoura (19,83%). Nos dois primeiros meses deste ano, o preço do tomate já subiu 35,17%, enquanto a cenoura aumentou 36,51%.

Os custos com Educação subiram 3,70% em fevereiro, um impacto de 0,23 ponto porcentual, grupo responsável por praticamente toda a taxa de 0,25% do IPCA no mês. Os cursos regulares ficaram 4,42% mais caros, item de maior contribuição individual para o IPCA de fevereiro, 0,20 ponto porcentual. Os cursos diversos aumentaram 2,67%, com impacto de 0,02 ponto porcentual.

Embora o resultado geral do IPCA tenha vindo no teto das previsões dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, a taxa de inflação acumulada em 12 meses desceu a 4,01%, praticamente no centro da meta de 4% perseguida pelo Banco Central este ano.

Em meio a um cenário de demanda ainda retraída, a inflação oficial não mostrou em fevereiro quaisquer sinais de pressão do câmbio nem do surto de coronavírus, afirmou Kislanov.

“O IPCA não tem efeito do câmbio. O efeito do câmbio não se dá de forma automática na inflação. Ainda mais sob o ponto de vista que não tem demanda aquecida, o ritmo de recuperação ainda é lento, então a capacidade de repasse de custos para o consumidor ainda é limitada. Não é transmissão automática, nem instantânea. Pode ser que apareça, ou não. Se não tiver como repassar, se for perder consumidores, pode ser que não repasse”, declarou.

O pesquisador também afirma que não houve influência do surto de coronavírus sobre preços, nem sobre a alta nos itens de higiene pessoal nem sobre a queda nas tarifas aéreas.

“Passagem aérea ainda não traz efeito de coronavírus. A metodologia é fazer a coleta dois meses antes. Então esse preço (de fevereiro) é um preço que foi pesquisado em dezembro para uma viagem que seria feita em fevereiro”, esclareceu.

A inflação de serviços acelerou de uma alta de 0,28% em janeiro para 0,68% em fevereiro, dentro do IPCA. Já os preços de bens e serviços monitorados pelo governo passaram de uma elevação de 0,51% em janeiro para uma deflação de 0,28% em fevereiro.

“A gente nota que, apesar da alta de alguns componentes de serviços, ela (a inflação de serviços) foi muito concentrada nos cursos regulares e nos cursos diversos. Outros componentes, inclusive, tiveram uma desaceleração em relação a janeiro, o que mostra que a gente tem uma economia que ainda está se recuperando de forma bastante lenta e gradual. A gente tem uma demanda ainda retraída e uma capacidade ociosa muito grande na indústria, então a inflação acaba ficando num patamar confortável”, avaliou Kislanov.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.