Inflação sofre efeito menor de câmbio, diz diretor do BC

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, avaliou nesta quinta-feira que o câmbio, atualmente, tem efeito sobre a inflação bem menor do que no passado. Isso ocorre, segundo ele, porque os agentes têm se acostumado "mais e mais" com a mudança de regime cambial. "Mas isso não quer dizer que não tenha importância nenhuma", ressaltou.

CÉLIA FROUFE, FERNANDO NAKAGAWA E EDUARDO CUCOLO, Agencia Estado

28 de junho de 2012 | 12h07

O diretor comentou que como o real se depreciou nos últimos três meses, o impacto da depreciação do câmbio sobre a inflação é relativamente rápido. Por isso, enfatizou a revisão da projeção do BC para a inflação de 2012 ser explicada pelo movimento da taxa de câmbio.

Hamilton disse também que a inflação ainda é alta no Brasil, apesar de a atividade econômica ter sido mais moderada no passado recente, porque o País não passa por crise e também porque a economia doméstica ainda é muito indexada. "Estamos longe de estar em situação de outras economias, onde a inflação está mais baixa. A economia brasileira não está em crise", comparou. Ele salientou que a fragilidade econômica é assimétrica, alcançando apenas alguns setores da economia. "Não existe fragilidade generalizada."

Isso, conforme o diretor, pode ser visto, por exemplo, no setor de Serviços. Como o segmento não está em crise, a inflação possui espaço para se manifestar de maneira persistente. "Nossa economia também é bastante indexada, e isso também contribui para entender por que a inflação demora a cair", salientou.

Sobre a revisão para baixo da estimativa para o PIB, Hamilton reforçou que o Comitê de Política Monetária (Copom) considera dois pontos essenciais: o resultado do primeiro trimestre, quando a agricultura caiu 8,5%, e a constatação de que a recuperação tem se dado de forma bastante gradual.

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