Inflação subirá ainda mais nos próximos meses, diz Tombini

Inflação subirá ainda mais nos próximos meses, diz Tombini

Antes de começar a desacelerar, inflação deverá bater o pico nos primeiros três meses de 2015, prevê o presidente do Banco Central

Murilo Rodrigues Alves, Victor Martins, Laís Alegretti, Agência Estado

16 Dezembro 2014 | 13h41


Antes de começar a desacelerar no segundo trimestre do ano que vem, a inflação deve bater o pico nos primeiros três meses de 2015, afirmou o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, nesta terça-feira, 16, em audiência pública no Congresso. 

"Estou convencido de que, após um curto interregno possivelmente em elevação, a inflação em doze meses iniciará um longo período de declínio, que no cenário mais provável se inicia no segundo trimestre de 2015, e vai culminar com o atingimento da meta de 4,5% ao ano", disse Tombini aos senadores da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

Na semana passada, quando esteve no Congresso para outra audiência pública, Tombini deu o mesmo recado, mas não delimitou no tempo quando a inflação começaria o processo de declínio para a meta. 

"Por conseguinte, entendo que não deveria ser tomado como surpresa, nos próximos meses, um cenário que contempla inflação acima dos níveis em que atualmente se encontra. Independentemente disso, entretanto, estou convicto de que, após um curto interregno possivelmente em elevação, a inflação em doze meses iniciará um longo período de declínio, que vai culminar com o atingimento da meta de 4,5% ao ano", afirmou na ocasião.

A inflação acumulada em 12 meses, medida pelo IPCA, fechou novembro em 6,56%  - o centro da meta estipulado pelo governo é de 4,5% ao ano. 

Nesta terça, Tombini afirmou que o cenário do BC mostra inflação atingindo o pico no primeiro trimestre de 2015, no início do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, mas que, depois disso, no segundo trimestre, a inflação desacelerará em direção à meta.

Ajuda da Fazenda. O Banco Central (BC) aposta em uma "política fiscal contida" da próxima equipe econômica de Dilma Rousseff como uma das "forças auxiliares" para fazer com que a inflação desacelere e volte à meta até o final de 2016. 

A indicação de que precisa do apoio do futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para a contenção dos gastos públicos, como contribuição para arrefecer a inflação, foi dada pelo presidente do BC, Alexandre Tombini, em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). 

O BC conta de antemão com a indicação de que Levy fará ajustes em relação à política fiscal no sentido de torná-la mais restritiva, de acordo com as últimas exposições políticas de Tombini. "Essa força preponderante tende a ser complementada por forças auxiliares, como uma política fiscal contida e iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito", repetiu Tombini hoje.

Além dessa força, Tombini diz que a inflação voltará à trajetória do centro da meta por causa dos efeitos cumulativos e defasados das últimas altas da taxa básica de juros, atualmente em 11,75% ao ano.

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