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Inflação supera maioria das aplicações em agosto

Só ouro, com alta de 4,7% no mês, superou o IGP-M, que avançou 1,43%; dólar comercial ficou na lanterna do ranking, com desvalorização de 0,83% 

Luiz Guilherme Gerbelli, de O Estado de S.Paulo,

31 de agosto de 2012 | 22h30

SÃO PAULO - A inflação corroeu o rendimento da maioria dos investimentos em agosto. No mês passado, o IGP-M de 1,43% só foi superado pelo ouro (alta de 4,67%) e Ibovespa (1,72%). Na lanterna do ranking, ficou o dólar comercial, com desvalorização de 0,83%. "Em épocas de crise, o ouro vira um refúgio para os investidores", afirma Fábio Colombo, administrador de investimentos.

 

Entre janeiro e agosto, a inflação medida pelo IGP-M ficou em 6,07% e só foi superada pelo ouro (16,79%) e o dólar comercial (8,61%). A pior aplicação do ano é o Ibovespa, com uma valorização de apenas 0,54%.

O Ibovespa poderia ter tido um melhor desempenho em agosto, mas somente nesta semana a desvalorização foi de 2,34%.

"Se não fosse esse fim de mês, com uma piora da aversão ao risco internacional, a bolsa poderia ter liderado. Também houve uma preocupação muito forte com o crescimento chinês, o que afeta as ações da Vale", diz Michael Viriato, professor de Finanças do Insper.

 

A Vale tem forte peso no índice da Bovespa e é grande exportadora de minério de ferro para a China. Em agosto, as ações da Vale PNA recuaram 9,20%, e a Vale ON caiu 9,61%.

Na avaliação de Michael Viriato, a bolsa deve se firmar como uma boa alternativa até o fim do ano. O Ibovespa chegou a liderar o ranking de investimento em julho, com alta de 3,21%.

O administrador de investimentos Fábio Colombo lembra, por exemplo, que essa instabilidade do Ibovespa deixou alguns papéis com um preço bastante interessante para os investidores. "Quem investir e tiver paciência vai ter boas chances de ganho no futuro. Eu sempre recomendo comprar gradativamente ao longo das baixas e vender gradativamente ao longo das altas", afirma Colombo.

Ele também acredita que a melhora nos mercados será gradual. "Não vamos ter nenhuma bala mágica", diz.

Acelerado. A alta do IGP-M tem acelerado nos últimos meses e prejudicado as aplicações mais conservadoras. A atratividade da renda fixa também fica cada vez menor com a queda da taxa de juros básicos. Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) fez o nono corte seguido da Selic, agora em 7,50% ao ano.

"Vai ficar cada dia mais evidente que as pessoas vão ter de diversificar mais o investimento. E a diversificação vai ocorrer na renda fixa com quatro alternativas de investimento, por exemplo, ou na renda variável, com um pacote de ações", diz Mauro Calil, educador financeiro.

Perfil. A rentabilidade das aplicações, segundo Mauro Calil, tem acompanhado o momento de transição econômica pelo qual passa o Brasil, sobretudo com as seguidas reduções da taxa básica de juros. "Até o fim do ano passado, você sempre ficava com uma alternativa clara: ou era renda variável que ganhava em tudo ou era renda fixa que se destacava. Agora, neste ano, esse meio de campo esta embolado."

Para o futuro, Calil diz que será necessário realizar um planejamento financeiro customizado para ter boa rentabilidade. Dentro disso, ele diz que o investidor deve responder três questões básicas: quanto tem para investir, qual o prazo e qual o objetivo da aplicação. 

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