Inflação surpreende e desacelera

Consultorias refazem as projeções diante da prévia da inflação oficial de março, que ficou em 0,25%, a metade do resultado de fevereiro

DANIELA AMORIM / RIO, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2012 | 03h04

A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15, pisou forte no freio em março. A taxa caiu para 0,25%, menos que a metade da registrada em fevereiro, de 0,53%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado pegou o mercado de surpresa, e analistas tiveram de reduzir suas previsões para o IPCA fechado de março.

A expectativa por uma taxa mais baixa no fim do mês reforça o cenário do governo de uma inflação sob controle, e dá folga para manter o rumo da política monetária em curso. Se o contexto de desaceleração se confirmar, o Banco Central terá a margem que precisa para manter a taxa básica de juros em 9% ao ano, após um novo corte de 0,75 ponto porcentual.

"O dado divulgado pelo IBGE foi surpreendente em todas as áreas, sobretudo em serviços", declarou a economista Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria Integrada.

A desaceleração generalizada nos preços dos serviços surpreendeu porque o grupamento é considerado por analistas como uma das prováveis pressões que manterão a inflação ainda aquecida ao longo de 2012. A consultoria Rosenberg & Associados calcula que os preços dos serviços subiram 0,51% no IPCA-15 de março, ante um aumento de 1,38% em fevereiro.

Diante dos novos números, a Tendências revisou sua projeção para o IPCA cheio do mês de 0,43% para 0,34%. Na consultoria Rosenberg & Associados, a taxa foi revista de 0,48% para 0,39%. Na Concórdia Corretora, a previsão para a inflação de março caiu de 0,40% para 0,35%.

Após o repique de início de ano, as mensalidades escolares deram trégua, e o grupo Educação reduziu a alta de 5,66% em fevereiro para 0,51% em março, o que puxou o resultado do IPCA-15 para baixo, apontou o IBGE.

O menor crescimento do grupo despesas pessoais (0,60%), por causa de uma pressão abaixo da esperada do item empregado doméstico, também contribuiu para uma inflação mais branda. Além disso, houve deflação nos grupos artigos de residência (-0,31%) e comunicação (-0,49%). Outro resultado inesperado foi a desaceleração no aluguel residencial, de 1,2% em fevereiro para 0,45% em março, e do condomínio, que passou de 0,68% para 0,48% no período. Como isso, as despesas com habitação cresceram 0,44%.

No acumulado de 12 meses, a inflação pelo IPCA-15 desacelerou de 5,98% em fevereiro para 5,61% em março, aproximando-se do centro da meta estipulada pelo governo para 2012, de 4,5%. O cenário confirma a possibilidade de um novo corte de 0,75 ponto porcentual na taxa básica de juros em abril. / COLABOROU RICARDO LEOPOLDO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.