Inflação surpreende e indica redução mais gradual

O pico da inflação ao consumidorbrasileiro ocorreu em maio e a tendência é de desaceleração apartir de agora, mas em ritmo mais lento que o anteriormenteestimado, já que tanto os dados do mês passado como do iníciodeste mês surpreenderam para cima, devido a uma pressão maisresistente dos alimentos. No atacado, a história é outra. O ápice dos preços podeainda não ter ocorrido, já que além dos alimentos, essesíndices sofrem o impacto dos metais e da energia, que além deter um efeito direto e imediato, ainda se espalha pela cadeia. Apostando que o Banco Central já contava com essadeterioração da inflação e que ele está mais focado nos númerosde 2009, os analistas acreditam que o ritmo de aperto monetárioserá mantido. Entre os dados de inflação divulgados nesta quarta-feira, odestaque foi o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo(IPCA), com alta de 0,79 por cento em maio, a maior taxa parameses de maio desde 1996 e a maior leitura mensal desde abrilde 2005. O número segue a leitura de 0,55 por cento em abril esuperou inclusive o teto das expectativas do mercado, de 0,71por cento, segundo pesquisa da Reuters. Outro índice de varejo, o IPC de São Paulo da FundaçãoInstituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) acelerou a alta para1,30 por cento na primeira quadrissemana de junho, contra 1,23por cento na abertura de maio. Analistas previam, na mediana,1,23 por cento de alta. "Os dados mostram que... há uma sucessão de itens comfortes altas. Junho está carregando a alta de maio ainda, masao final do mês vemos uma certa trajetória de baixa. Só que (adesaceleração) vai ser mais gradual do que a gente pensavaantes", disse Silvio Campos Neto, economista-chefe do bancoSchahin. Os analistas acreditam que apesar da desaceleração, osíndices seguirão acima das médias recentes. No caso do IPCA, amédia dos quatro primeiros meses do ano foi de 0,52 por cento. Assim, Flávio Serrano, economista sênior do BesInvestimento, acredita que "maio foi o pior mês do ano para osIPCs", mas ressalta que o problema da inflação ainda não estásolucionado. "O IPC-Fipe vai ficar perto de 1 por cento em junho etalvez em julho fique menor. O mesmo vale para o IPCA. OIPCA-15 de junho ainda vem forte, mas o IPCA de junhodesacelera no fechamento do mês, mas ainda são taxas altas." Os analistas, no entanto, não acreditam que esse cenáriomais pressionado que o anteriormente estimado mude a políticamonetária e continuam apostando em uma nova alta de 0,50 pontopercentual da Selic em julho. "O mercado vai especular 0,75 (ponto de alta em julho), masainda não creio nisso. O Banco Central está olhando um poucomais para a frente e menos para os dados correntes. A inflaçãode agora é ruim, mas está mais concentrada no momento atual",acrescentou Neto, do Schahin. Tanto no IPCA, quanto no IPC da Fipe, a surpresa veio deuma alta maior que a esperada dos preços dos alimentos e aprevisão de desaceleração dos índices é baseada em umadiminuição da pressão desses custos. No IPCA, os alimentos contribuíram com 54 por cento da taxade maio, enquanto dos sete grupos do IPC-Fipe, seis diminuírama alta e apenas Alimentação subiu em ritmo maior. Já no Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), tambémdivulgado nesta manhã, outros itens mostraram fortes variações,como os produtos industriais no atacado. Os principais aumentos individuais de preços no atacadoforam de minério de ferro, óleo diesel, bovinos, arroz em cascae aço semi-acabado ao carbono. IGPs INCERTOS O IGP-M acelerou para 1,97 por cento na primeira prévia dejunho, superando a elevação de 1,36 por cento em igual períodode maio e o teto da previsão dos analistas, de 1,60 por cento. A variação foi a maior registrada desde dezembro de 2002,quando o IGP-M subiu 2,61 por cento. No ano, o IGP-M acumula alta de 6,81 por cento. Nos últimos12 meses, o índice subiu 13,43 por cento. "Os IGPs tiveram (impacto de) uma nova rodada de aumentosde metais e tem também os combustíveis pressionando bastante,com o aumento doméstico e o petróleo recorde", afirmou Serrano,do Bes, ressaltando que os metais pressionam toda a cadeiaindustrial. "Pode não ter sido o pico dos IGPs ainda", acrescentou. (Colaborou Cláudia Pires e Rodrigo Viga Gaier, no Rio deJaneiro; Edição de Renato Andrade)

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