Inflação surpreende mas mercado segue confiante

O Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), utilizado para definir as metas de inflação do governo, apresentou alta surpreendente em outubro, chegando a 0,83%. A maioria dos analistas prevê que a inflação chegue a 7% em 2001, um ponto porcentual acima do limite máximo estabelecido. O mercado considerou o resultado aceitável, dados os demais indicadores econômicos em um ano de muitas crises. E o otimismo continua, sem euforia, e espera-se maior equilíbrio na variação das cotações a partir de agora. Mas o resultado do IPCA acabou com as previsões de que o governo reduziria a Selic - taxa básica referencial de juros da economia - ainda neste ano. Do lado positivo, o governo superou as metas relativas às contas públicas, as contas externas também surpreenderam e nem os investimentos estrangeiros apresentaram quedas. A crise energética não trouxe grandes danos e está próxima de uma solução. No saldo final, como defendeu o presidente do Banco Central (BC), o Brasil ainda crescerá 2% em um ano muito turbulento. Ele garante que o governo não abandonará as metas de inflação e que a tendência é de queda das taxas.Mas o que contém a euforia dos investidores ainda é o cenário externo. Os EUA estão em guerra, ainda que contida, e puxando uma recessão mundial. E, por mais que o Brasil já não esteja refletindo mais as idas e vindas da crise na Argentina, um agravamento da situação no país - cada vez mais provável - pode abalar os mercados brasileiros, ainda que temporariamente.Argentinos de pires na mão nos EUAOntem o presidente Fernando de la Rúa e o ministro da Economia, Domingo Cavallo, embarcaram para os Estados Unidos e já se encontraram com vários banqueiros em Nova York. Amanhã, haverá um encontro com o presidente norte-americano, George W. Bush. Mas o clima é de pessimismo, pois os argentinos têm pouco a oferecer e muito a pedir. O acordo para a redução do repasse de verbas para as províncias não foi assinado pelos governadores de oposição (14 dos 24, incluindo as maiores e mais importantes). Sem o compromisso de eliminação do déficit fiscal em todas as esferas de governo, há o temor de que qualquer centavo em ajuda para a Argentina seja desperdiçado.O país está em situação desesperadora e precisa no mínimo do adiantamento da parcela de dezembro prometida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) de US$ 1,6 bilhões para não decretar o calote imediatamente. E sem a troca dos títulos da dívida externa com perdas para os credores será impossível manter os pagamentos no ano que vem. Analistas ainda temem que a renegociação, apesar da economia que trará com papéis corrigidos por juros mais baixos, não será suficiente. Cresce a percepção de que o colapso financeiro é cada vez mais provável em meio à forte crise política que o país atravessa enquanto depósitos bancários e reservas internacionais continuam caindo dia a dia. Os argentinos estão sacando seu dinheiro dos bancos e comprando dólares.Fechamento dos mercadosO dólar comercial para venda fechou em R$ 2,5390, com alta de 0,28%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 20,610% ao ano, frente a 20,730% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 1,41%.O índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em queda de 2,56%. Nos Estados Unidos, as bolsas fecharam próximas dos resultados de ontem. O Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - ficou em ligeira alta de 0,21%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em alta de 0,04%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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