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Inflação acelera, mas atinge patamar mais baixo para outubro desde 2000

Inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou outubro com alta de 0,26% ante uma variação de 0,08% em setembro

Daniela Amorim, Broadcast

09 Novembro 2016 | 09h48

RIO -  A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou outubro com alta de 0,26% ante uma variação de 0,08% em setembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa apurada fechou outubro no menor patamar para o mês desde 2000, quando estava em 0,14%

O resultado ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que iam de uma taxa de 0,23% a 0,39%, com mediana de 0,29%.

A taxa acumulada no ano foi de 5,78%. Em 12 meses, o resultado ficou em 7,87%, ainda muito acima do teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5%. Entretanto, é o menor resultado desde fevereiro de 2015, quando era de 7,70%.

Os preços dos alimentos diminuíram o ritmo de queda na passagem de setembro para outubro. O grupo Alimentação e bebidas passou de recuo de 0,29% para queda de 0,05% no período.

Apesar da aceleração do IPCA na passagem de setembro para outubro, a trajetória da inflação em 12 meses é de desaceleração. O fenômeno tem ajudado tanto na trégua dos alimentos quanto no arrefecimento da demanda, segundo Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Dá para chamar de uma trajetória clara de desaceleração, principalmente porque estamos vendo números bem mais moderados nos últimos meses do que foram nos meses equivalentes do ano anterior", justificou Eulina.

Segundo ela, o cenário de pressão sobre preços mudou, assim como o patamar para a inflação acumulada em 12 meses. "O contexto é outro, ainda mais quando a gente está vendo alimentos em queda e praticamente todos os reajustes de administrados já foram. Não tem pressão forte prevista de preços administrados", lembrou a coordenadora.

No entanto, Eulina lembra que, embora o ritmo de aumento de preços tenha arrefecido, as famílias continuam pagando mais caro pela cesta básica de produtos. O aumento acumulado apenas para a alimentação no domicílio nos 12 meses encerrados em outubro foi de 14,85%. "A cesta continua mais cara. Ou seja, houve quase 15% de aumento só na cozinha", acrescentou.

Preços. O leite longa vida ficou 10,68% mais barato em outubro, exercendo o principal impacto negativo sobre a inflação do mês, o equivalente a -0,13 ponto porcentual sobre o IPCA. Também recuaram os preços do feijão-carioca (-8,79%), cebola (-6,48%), feijão-mulatinho (-4,85%), ovos (-4,77%) e hortaliças (-4,45%), entre outros.

Na direção oposta, as carnes ficaram 2,64% mais caras em outubro, principal pressão sobre a inflação do mês, o equivalente a uma contribuição de 0,07 ponto porcentual. Em Curitiba, as carnes chegaram a ficar 4,40% mais caras. Em Fortaleza, o aumento chegou a 4,19%; em Vitória, 4,18%; e no Rio de Janeiro, 4,09%.

Também pressionaram o orçamento das famílias os aumentos no feijão-fradinho (4,02%), açúcar cristal (2,87%), pescado (2,10%) e tomate (1,74%), entre outros.

Serviços. A inflação de serviços acelerou na passagem de setembro para outubro, de 0,33% para 0,47%. No entanto, a taxa acumulada em 12 meses recuou de 7,04% para 6,88%, o menor patamar desde o início da série histórica, em 2012 ."Quando a gente olha em 12 meses, a gente vê que os serviços estão perdendo a resistência", apontou Eulina Nunes dos Santos.

Em outubro, a aceleração foi pressionada pelo aumento dos gastos com alimentação fora de casa (0,75%) e passagens aéreas (10,06%). "Mas as passagens aéreas variam muito mês a mês, são voláteis", observou Eulina.

No caso dos preços de bens e serviços monitorados também houve aceleração: a inflação de administrados saiu de 0,37% em setembro para 0,54% em outubro. Houve pressão da taxa de água e esgoto (0,74%) e da gasolina (1,22%). Mas a taxa em 12 meses também diminuiu, de 7,90% para 7,00% no mesmo período.

 

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