Inflação tende a convergir ao centro da meta, diz BC em ata

Documento ainda avalia que o ajuste realizado na Selic ainda não gerou todos os efeitos na economia

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

28 de outubro de 2010 | 08h39

A ata da reunião de outubro do Comitê de Política Monetária (Copom) reafirma que "neste momento prevalece o entendimento de que a convergência da inflação para o valor central da meta tende a se concretizar". A afirmação consta do documento divulgado nesta quinta-feira, 28, que cita que a recente alta dos preços de alimentos já estava contemplada nos cenários previstos pelo Banco Central desde a reunião anterior, realizada nos dias 31 de agosto e 1º de setembro.

Os diretores do BC ainda avaliam que o recente ajuste realizado no patamar da taxa básica de juros, a Selic, ainda não gerou todos os efeitos na economia. No parágrafo 25 da ata da reunião de outubro, os membros do Copom afirmam que "os efeitos do processo de ajuste da taxa básica de juros iniciado em abril de 2010 ainda não se fizeram sentir integralmente". A taxa Selic subiu entre abril e julho deste ano, quando avançou 2 pontos porcentuais para os atuais 10,75% ao ano.

Mesmo com a confirmação desses riscos de curto prazo, o Copom reafirma que "o balanço de riscos atual ainda aponta para a concretização de um cenário benigno, no qual a inflação seguiria consistente com a trajetória de metas". Essa convergência da inflação com a meta, segundo o BC, se deve "em grande parte" "ao ajuste da taxa básica implementado desde abril".

O colegiado reconhece, ainda, que há dificuldade na identificação de choques de oferta, como o de alimentos, e a intensidade desses movimentos. "Apesar da dificuldade em se identificar a natureza desses choques, bem como sua intensidade, duração e possibilidade de reversão, a política monetária deve atuar no sentido de impedir sua propagação, os chamados efeitos de segunda ordem."

Os diretores do Copom observam que a convergência da inflação à meta está condicionada "à materialização das trajetórias com as quais o Comitê trabalha para variáveis fiscais e creditícias, entre outras". Outro fator que respalda a avaliação do BC são as "informações que emergiram, desde então, indicando melhora no balanço de riscos para a dinâmica dos preços administrados, bem como que a desaceleração da atividade nos dois últimos trimestres foi mais intensa do que o vislumbrado no início deste ano".

A ata afirma ainda que caso esse cenário esperado não se concretize, a política monetária será ajustada "de modo a garantir a convergência entre o ritmo de expansão da demanda e o da oferta".

'Incerteza acima do usual'

"O Comitê reconhece um ambiente econômico em que prevalece nível de incerteza acima do usual, no qual os riscos restantes para a consolidação de um cenário inflacionário benigno se circunscrevem ao âmbito interno", cita a ata da reunião de outubro no trecho 26. Um exemplo dessa incerteza pode ser vista na expansão da demanda interna em um cenário de reduzida ociosidade nas fábricas.

"A esse respeito, é importante destacar que no passado recente tem sido observada certa estabilidade, em nível elevado, da taxa de ocupação da capacidade instalada", observa o texto. A ata destaca, ainda, que é possível observar "certa moderação no dinamismo do mercado de trabalho". Essa acomodação, porém, só acontece na iniciativa privada. Ou, como cita o texto, "ex-administração pública". "Nesse contexto, é plausível afirmar que os fatores de sustentação desses riscos domésticos mostram desaceleração", cita o documento.

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