Inflação vai continuar a recuar no segundo semestre, afirma diretor do BC

Hamilton repetiu que a autoridade trabalha na direção de um IPCA menor que em 2012, quando atingiu 5,84%; no Relatório Trimestral de Inflação, contudo, a projeção para o índice subiu para 6%

Adriana Fernandes, Célia Froufe e Eduardo Cucolo, da Agência Estado,

27 de junho de 2013 | 12h05

BRASÍLIA - A inflação vai continuar a recuar no segundo semestre de 2013, segundo o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton de Araújo. "A inflação vai recuar no segundo semestre, esta é a nossa avaliação", disse. Ele repetiu ser possível, "sem dúvida", trabalhar na direção de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2013 fique menor do que o do ano passado (5,84%), conforme afirmou o presidente da Casa, Alexandre Tombini. "O cenário que foi traçado por Tombini está de pé", repetiu.  

O Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta quinta-feira pelo BC, no entanto, é bem mais pessimista do que as afirmações do diretor. No documento, a projeção do IPCA subiu de 5,7% para 6% ao final de 2013. Ao longo deste ano, Tombini e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prometeram em várias ocasiões uma inflação menor em 2013 do que em 2012. A queda da inflação também foi uma promessa da presidente Dilma.

Hamilton lembrou que Tombini também enfatizou o início do ciclo de alta de juros. "O BC iniciou o ciclo de ajustes em abril. E isso tem um lag", afirmou o diretor. "A inflação vai cair", continuou. Assim como em outros pronunciamentos do BC, ele admitiu que a inflação em 12 meses ainda vai aumentar em julho. "Provavelmente vai ficar acima do patamar de que está atualmente, mas, no segundo semestre, vai cair. Todas estas são avaliações que estão conosco", afirmou, sem querer mencionar quando a trajetória de baixa vai ocorrer.

O diretor deu ainda uma declaração importante a respeito dos efeitos da política monetária sobre a inflação deste ano: "O impacto da política monetária já é maior para 2014 (do que para 2013), mas há outros canais de transmissão", disse, sem especificar quais seriam esses canais.

Inflação de serviços. Hamilton afirmou que, no segmento de não comercializáveis, que inclui os serviços e onde não há concorrência externa, a inflação se mostra elevada, com alta de 9,7% nos 12 meses encerrados em maio. Os comercializáveis subiram 6,3% no mesmo período. Segundo o diretor, o dado positivo são os preços dos bens e serviços monitorados, que subiram 1,5% no período.

Hamilton afirmou ainda que praticamente todos os indicadores de inflação mostram uma taxa em 12 meses encerrados em maio deste ano acima do verificado em maio de 2012. Ele disse também que há um recuo da inflação em 12 meses desde março no atacado. "Claramente, há uma tendência declinante da inflação no atacado."

O diretor destacou que há recuo de commodities agropecuárias e metálicas, além de certa estabilidade nas commodities energéticas. Disse ainda que a inflação no segmento preços in natura está bastante elevada, alta de 43,2% em 12 meses até maio.

Consumo. O crescimento do ritmo do consumo das famílias tem sido moderado, bem menor do que dois ou três anos atrás e a tendência é de que esse consumo continue em expansão em um ritmo menor, na avaliação de Hamilton.

Sobre os investimentos, Hamilton destacou que houve um crescimento importante no primeiro trimestre do ano, dando continuidade à retomada que teve início do quarto trimestre do ano passado. Ele citou que a perspectiva é de continuidade de ingresso de IED, que os estoques estão ajustados e enfatizou a expectativa de que ocorram concessões em portos, aeroportos, rodovias e ferrovias no segundo semestre. "Então, acredito que esses elementos indicam cenário positivo para investimento em 2013 e 2014", disse.

O diretor lembrou que o consumo do governo foi o componente da demanda agregada que mais cresceu no ano passado, apresentando uma taxa de 3,2%. "Se combinamos o consumo do governo com medidas de desoneração e o próprio recuo da arrecadação, o superávit terminou sendo menor do que o estimado no início de 2012", resumiu.

Em termos de demanda externa, as exportações mostram claramente, conforme Hamilton, uma tendência de recuo desde 2011, mas algo que está em linha com a atividade global. "As perspectivas são de que economia global cresça mais em 2014 do que em 2013 e mais em 2015 do que em 2014", previu. Ele disse também ser "natural" que se espere uma recuperação das exportações. Questionado por jornalistas sobre quando se dará essa retomada, o diretor respondeu: "quanto antes, melhor".

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