Influência da China na Bovespa supera a dos EUA

Depois da economia real, é a vez do mercado financeiro. As relações mais próximas entre Brasil e China já não se limitam ao comércio exterior. A chamada correlação entre a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a Bolsa de Xangai cresceu fortemente nos últimos anos e, para analistas, deve aumentar ainda mais daqui para a frente. Em português, significa que o mercado acionário chinês influencia cada vez mais o brasileiro.

AE, Agencia Estado

13 de dezembro de 2009 | 10h21

Levantamento da HSBC Asset Management mostra que, em dezembro de 2003, a correlação entre a bolsa brasileira e a chinesa era de 14%. Ou seja, as duas tinham desempenho semelhante em 14% dos pregões. O porcentual subiu para 67% em dezembro deste ano. No período, a correlação com o Índice S&P 500, principal referência da Bolsa de Nova York segundo analistas, caiu de 78% para 64%.

A rentabilidade mostra caminho parecido. Em 2003, o Ibovespa subiu 103% em dólar, ante 81% do Índice Xangai Composto e 26% do S&P 500. Neste ano, até o início de dezembro, o Ibovespa avançava 118%, ante 59% da bolsa de Xangai e 22% do S&P 500. Essa ligação é um dos argumentos que o principal executivo da HSBC Asset Management, Pedro Bastos, usa para convencer clientes internacionais a investir aqui.

"O Brasil está se tornando uma alternativa para os investidores que querem ter exposição à China, com a diferença de que temos um arcabouço institucional melhor do que os chineses", disse, referindo-se a instituições como o Banco Central (BC) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A relação entre os dois mercados tem, evidentemente, raízes na economia real. A China transformou-se no principal parceiro comercial do Brasil e na maior compradora de produtos brasileiros. No mês passado, a corrente de comércio (soma de exportações e importações) Brasil-China atingiu US$ 33,3 bilhões, pouco à frente da relação Brasil-Estados Unidos, que ficou em US$ 32,8 bilhões. Considerando só exportações, a vantagem dos chineses aumenta - US$ 18,9 bilhões, ante US$ 14,4 bilhões. O Brasil vende à China, principalmente, commodities, como minério de ferro e soja. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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