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Influência da taxa de câmbio relativiza as comparações

Análise: Fernando Dantas

JORNALISTA, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2011 | 03h05

Segundo a base de dados da Perspectiva Econômica Mundial, documento do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil passou o Reino Unido em termos de PIB em dólares correntes em 2011. Com isso, tornou-se a sexta maior economia do mundo, depois de Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França.

Os dados do FMI são uma projeção, já que não há números fechados do PIB de 2011. O FMI estima que o PIB brasileiro feche 2011 em US$ 2,518 trilhões, comparado a US$ 2,481 trilhões do Reino Unido. Em 2010, o PIB do Brasil foi, de acordo com a base de dados do Fundo, de US$ 2,090 trilhões, comparado a US$ 2,250 trilhões do Reino Unido.

Esses números, que apontam um salto de mais de 20% no valor do PIB brasileiro em dólares correntes em apenas um ano, provavelmente foram influenciados pelas projeções de câmbio do FMI, já que a economia brasileira em 2011 não deve crescer mais do que 3%. Mesmo levando-se em conta a valorização do câmbio entre 2010 e 2011, o salto parece muito grande.

Quando se toma o PIB em dólares com paridade de poder de compra (PPP), o quadro muda, e o Brasil ainda está na sétima posição no ranking das projeções do FMI para 2011. Os dólares PPP levam em consideração as diferenças de custo de vida em cada país,.

Curiosamente, porém, no ranking do FMI de 2011, o PIB brasileiro em dólares correntes, de US$ 2,518 trilhões, é superior ao PIB em dólares PPP, de US$ 2,309 trilhões. Normalmente, é o contrário que ocorre. Quando o PIB de um país mais pobre que os Estados Unidos é corrigido para levar em consideração o custo de vida, o resultado tende a aumentar.

Todos esses complicadores das variações cambiais e do próprio critério PPP, muito difícil de estimar, mostram que os rankings de países por PIB devem ser tomados com o adequado grão de sal. Assim como o Brasil alcançou a sexta posição, dela pode cair novamente dependendo menos do crescimento real da economia do que de oscilações das taxas de câmbio globais.

Outra questão relevante é que o PIB mede o tamanho total da economia, e naturalmente tende a crescer com a população. Se for tomado o PIB per capita, que de fato mede o desenvolvimento econômico, social e humano, Brics como Brasil, China e Índia despencam na tabela.

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