Suamy Beydoun/AGIF - 31/3/2017
Suamy Beydoun/AGIF - 31/3/2017

Influenciada pelo exterior, Bolsa encerra pregão em queda de 1,82%, aos 85.353,59 pontos

Dólar fechou em leve baixa ante o real cotado a R$ 3,2415, queda de 0,24%

Paula Dias e Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2018 | 19h38

A Bolsa brasileira acelerou o ritmo de queda na última hora do pregão desta quarta-feira, 28, largando de vez o patamar dos 86 mil pontos em torno do qual ficou oscilando na maior parte da sessão de negócios. O movimento espelhou o mau humor vindo de seus pares em Wall Street, cujos índices foram pressionados pelo sentimento de cautela dos investidores diante da divulgação, na quinta-feira, 1º, de dados sobre gastos de consumo e mais um depoimento do novo presidente dos Estados Unidos, Jerome Powell. O índice à vista encerrou em baixa de 1,82%, aos 85.353,59 pontos.

Com as perdas, o Ibovespa ainda encerrou fevereiro com uma valorização de 0,52% e acumula alta de 11,72% em 2018. Em todo ano passado, o porcentual de valorização foi de 26,8%. 

Já o dólar fechou em leve baixa ante o real, na contramão da direção da divisa no mercado internacional, onde predominou o sinal de alta. A moeda terminou o dia cotada a R$ 3,2415, em queda de 0,24%.

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Na maior parte do dia, as commodities ditaram o movimento de perdas lá fora com influência no mercado acionário doméstico. O recuo tanto do minério de ferro quanto do petróleo infringiu perdas para os papéis de empresas correlatas. 

O minério de ferro, com o preço recuando mais para perto dos US$ 76 a tonelada no porto de Qingdao, na China, arrastou as principais mineradoras em Londres e, por aqui, a Vale.  Os papéis da mineradora brasileira, em baixa durante todo o dia, aceleraram a queda quase no fim do pregão em meio a notícias de que a companhia prepara uma oferta subsequente (follow on) para a venda da fatia que o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, Previ, detém na empresa. 

"Hoje foi aquele dia sem agenda relevante do ponto de vista nacional e quem vem, de fato, puxando o mercado são os ativos como da Vale, que seguiu as mineradoras lá fora", notou Roberto Indech, analista-chefe da Rico Corretora. 

No meio do dia as cotações do petróleo aprofundaram perdas amparadas nos dados do relatório de estoques da commodity, de gasolina e a produção do Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) nos Estados Unidos, que aumentaram acima da previsão dos analistas. Única das blue chips em alta desde o início do pregão, naquele momento, as ações da Petrobrás passaram a operar no negativo e ajudaram, juntamente com o setor financeiro, a ampliar as perdas do Ibovespa. 

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Câmbio. Apesar de persistirem algumas incertezas, como a que diz respeito à política monetária dos Estados Unidos, os investidores evitaram carregar posições compradas em moeda estrangeira nesta quarta-feira. Em meio aos fundamentos domésticos essencialmente positivos, operadores relataram ainda ingressos de recursos externos ao País, com destaque para o segmento comercial.

Nesse cenário, o volume de negócios em dólares somou US$ 922,5 milhões, segundo dados da B3. Com o resultado de hoje, a moeda americana encerrou fevereiro com alta de 1,58%. Esse ajuste no mês foi atribuído por analistas a questões cruciais nas última semanas, como o aumento da volatilidade no exterior, a desistência do governo em votar a reforma da Previdência e o rebaixamento do rating do Brasil pela Fitch.

"Apesar da queda no dia, é possível que tenhamos o dólar em um nível mais alto em março", disse Durval Corrêa, operador da corretora Multimoney. Segundo ele, eventos novos, como o rebaixamento do rating brasileiro e a política monetária dos EUA, têm potencial para gerar uma correção nos ativos brasileiros, principalmente nas ações. Com isso, ele acredita que a moeda poderá orbitar em torno do nível de R$ 3,27 nas próximas semanas. "Mas ainda é preciso saber como o Banco Central vai proceder em relação à rolagem dos vencimentos de swap de abril (US$ 9 bilhões)", ponderou. 

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Ao longo do dia, profissionais do mercado apontaram movimentos diversos que levaram à queda do dólar ante o real, em um dia de desvalorização expressiva dos preços do petróleo e de queda de moedas de países emergentes e exportadoras da commodity. Para José Carlos Amado, operador da Spinelli Corretora, a quarta-feira foi de desmontagem de posições montadas em períodos de maior tensão nos mercados, como ocorreu na véspera. O diretor de uma corretora destacou o fluxo positivo, com fortes vendas por parte de exportadores, inclusive à tarde, quando a cotação atingiu a mínima do dia, aos R$ 3,2359 (-0,41%).

O período da manhã foi marcado pela instabilidade das cotações, que oscilaram ao sabor da divulgação de diversos indicadores econômicos, em meio à briga dos investidores pela última Ptax do mês. A Ptax fechou aos R$ 3,2449, com alta de 0,20% no dia e ganho de 2,61% no acumulado de fevereiro. A taxa  será usada na liquidação dos contratos futuros de câmbio que vencem em março e para os ajustes dos vencimentos subsequentes de dólar futuro e de swap cambial, além de ajustes nos balanços corporativos de fim de ano.

Mais cedo, as atenções se dividiram entre indicadores nacionais e internacionais. Por aqui, mereceram destaque os aumentos da confiança da indústria e do setor de serviços, ao mesmo tempo em que o Indicador de Incerteza da Economia Brasileira recuou. Por outro lado, a taxa de desemprego brasileira subiu de 11,8 para 12,2 no trimestre até janeiro de 2018, ante o trimestre imediatamente anterior. No exterior, os dados de PIB e da segunda estimativa do PCE dos EUA no quarto trimestre vieram dentro do previsto.

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À tarde, o Banco Central brasileiro informou que o setor público consolidado (Governo Central, Estados, municípios e estatais, com exceção de Petrobrás e Eletrobrás) teve superávit primário de R$ 46,940 bilhões em janeiro, o melhor resultado para os todos meses da série histórica desde dezembro de 2001. O resultado ficou acima da mediana das estimativas (R$ 40 bilhões) captada pelo Projeções Broadcast e dentro do intervalo das previsões, que iam de R$ 28,8 bilhões a R$ 48,6 bilhões.

O dólar futuro para abril, que passa a concentrar a liquidez, fechou em baixa de 0,18%, aos R$ 3,2585, com US$ 20 bilhões em negócios. Às 18h20, o dólar americano tinha alta ante o peso chileno (+0,46%), o peso mexicano (+0,07%), o rand sul-africano (+0,68%), o rublo (+0,27%) e o dólar neozelandês (+0,41%). Caía 0,41% ante a lira turca.

A agenda econômica da quinta-feira também será repleta de indicadores, tendo como destaque no Brasil o resultado do PIB do quarto trimestre de 2017. Nos EUA serão divulgados o PCE de janeiro, PMI industrial de fevereiro, gastos com construção e os dados de renda e gastos pessoais (janeiro), entre outros.

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