Informação e reflexão sobre a arte e a cultura

Páginas do acervo do jornal relatam a evolução cultural dos últimos 137 anos 

João Luiz Sampaio, de O Estado de S.Paulo,

23 de maio de 2012 | 19h00

SÃO PAULO - Com a Semana de Arte Moderna, realizada em 1922, uma nova era começava na cultura brasileira. Liderado por Mário de Andrade, um grupo de artistas plásticos, escritores e músicos reagia à influência europeia, propondo uma criação artística marcada pela liberdade e pela cultura nacional como fonte de inspiração. De outro lado, críticos e intelectuais como Monteiro Lobato defendiam a noção de que as artes eram regidas por princípios imutáveis, leis fundamentais que não dependem do tempo nem da latitude.

O fato de que tanto Lobato como Mário de Andrade eram presença constante nas páginas do Estado revela como, ao longo de sua história, o jornal não apenas acompanhou de perto o desenvolvimento do cenário cultural brasileiro como, em muitos casos, foi o palco de debates que ainda hoje marcam a produção nacional. A Semana não é o único exemplo. Basta lembrar que foi na redação do jornal que, há 100 anos, se criava a Sociedade de Cultura Artística, com o objetivo de promover "a popularização das obras de arte e literatura nacionais, pelo meio imediato de conferências públicas acompanhadas de concertos musicais".

Em 1986, com o surgimento do Caderno 2, a cobertura ampliava-se, abarcando também o universo da cultura pop. A agenda cultural passava a figurar de maneira ainda mais ampla no noticiário do jornal. Do surgimento da Sala São Paulo à inserção do Brasil na rota dos grandes festivais de música pop, da retomada da produção cinematográfica brasileira nos anos 90 à profissionalização da produção, das grandes exposições de artistas consagrados à descoberta de novos talentos, o Caderno 2 revelou em seu dia a dia como o Brasil viu e consumiu cultura nas últimas décadas.

Séries como os Encontros Notáveis - grandes entrevistas com artistas e intelectuais - extravasavam a agenda e propunham uma reflexão sobre grandes temas culturais. Essa sempre foi, de resto, uma marca da cobertura cultural do Estado, que se pautou não apenas pela informação, mas também pela reflexão, tendo em sua equipe articulistas como Décio de Almeida Prado, João Caldeira Filho ou Sérgio Milliet, cuja produção crítica é hoje estudada como paradigma. E é a partir dessa combinação que se torna possível estabelecer, por meio das páginas do jornal, o relato da história da arte brasileira no último século.

Você sabia?

A primeira edição do Caderno 2 circulou no dia 6 de abril de 1986. Na capa, uma conversa com Chico Buarque e Caetano Veloso - e, no espírito da diversidade, trazia ainda matérias sobre o escritor Carl Sagan e o ex-Beatle John Lennon.

O acervo digital do Estado pode ser acessado em acervo.estadao.com.br.

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