Infraero eleva aluguel de lojas em até 127%

Empresa faz forte ajuste para compensar a perda de receita dos aeroportos privatizados

ANNE WARTH /BRASÍLIA., O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2013 | 02h04

Sem poder contar com a receita dos aeroportos de Guarulhos, Campinas e Brasília, concedidos à iniciativa privada, a Infraero promoveu um forte ajuste em sua política de preços nas licitações de espaços comerciais, publicitários, restaurantes, hangares, e estacionamentos.

Ao licitar as áreas após o vencimento de contratos antigos, a estatal conseguiu um aumento médio de 80% no valor pago pelas empresas para explorar estes pontos comerciais. Em alguns casos, as companhias que já ocupavam os espaços se dispuseram a pagar mais do que o triplo do contrato anterior.

No Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, o Citibank aceitou pagar R$ 390 mil por mês para utilizar um espaço publicitário, 127% a mais do que o preço inicial, de R$ 171,8 mil. A Cacau Show fez uma oferta de R$ 60,3 mil, o dobro do valor mínimo proposto.

O crescimento das receitas é uma consequência das mudanças que a Infraero implantou no processo de licitação das áreas. Desde 2010, a estatal utiliza a modalidade do pregão presencial. Antes, as empresas interessadas faziam sua proposta em envelope, a partir do preço inicial, e vencia quem apresentasse a maior oferta.

Agora, depois dessa etapa, as três companhias que oferecem o maior valor entram numa disputa presencial. "A licitação por pregão foi um achado, porque antes a concorrência era apenas pelo envelope e os valores não se afastavam muito do preço inicial", explicou o diretor comercial da Infraero, Geraldo Moreira Neves.

Ajustes. Também houve ajustes na definição do preço mínimo desse espaços. Para defini-lo, a Infraero tem feito pesquisas sobre os valores pagos em outros terminais do mesmo porte, na área próxima do aeroporto e, principalmente, em shoppings da região.

Os prazos de exploração das áreas também foram padronizados e ficaram menores. Para publicidade, por exemplo, eles variam de 12 a 24 meses. Para restaurantes, lanchonetes, e estacionamentos, até 84 meses.

Segundo Neves, alguns contratos tinham prazos muito longos e eram antigos, o que permitia uma defasagem nos preços. "Esse aumento médio de 80% não deve assustar, porque os valores pagos anteriormente estavam muito defasados", disse.

As novas licitações têm permitido que a Infraero consiga manter o ritmo de crescimento das receitas dos últimos três anos, de cerca de 20%, mesmo sem contar com o dinheiro que vinha de Guarulhos, Campinas e Brasília, que desde dezembro de 2012 não fazem mais parte dessa conta. A privatização desses aeroportos gerou uma perda de receita para a Infraero da ordem de 30% na área comercial e de 60% em cargas.

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