''Infraero terá de se mexer'', diz ex-dirigente da estatal

A decisão do governo de abrir a concessão dos aeroportos à iniciativa privada deverá acelerar as obras e modernizar o setor, mas as deficiências de infraestrutura ainda serão sentidas nos próximos anos, inclusive na Copa do Mundo, avaliam especialistas ouvidos pelo "Estado".

Rafael Moraes Moura / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2011 | 00h00

O novo cenário também deve fazer a Infraero "se mexer" e buscar maior agilidade gerencial.

"O governo está concedendo terminal de passageiro (à iniciativa privada), mas outros gargalos permanecerão, como no pátio de estacionamento, no sistema de pista, nas filas de passageiros que chegam aos aeroportos e não encontram lugar para deixar os carros", diz o ex-presidente da Infraero Adyr da Silva.

Para ele, as mudanças vão criar grande competição na área, o que obrigará a própria empresa a "se mexer".

"A Infraero agora terá um aferidor do lado, vai ter de se mexer. Nada melhor para um indivíduo agir do que se sentir ameaçado." Embora elogie a iniciativa da presidente Dilma Rousseff, o coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende, acredita que o cronograma ficará corrido para atender brasileiros e turistas na Copa de 2014.

"Já passou o tempo pra que as obras sejam um legado para a população. Vamos ter de visar a Copa e a Olimpíada de forma franciscana, sendo mais humildes nas intervenções", diz Resende. "Não vamos conseguir escapar dos terminais temporários. O maior medo é que essa solução improvisada fique permanente, que se goste do puxadinho."

Na avaliação de Resende, a iniciativa privada possui tecnologia, engenharia de ponta e maior rapidez no desenho de soluções, quando comparada ao setor público. "O ideal é uma grande parceria entre governo e o setor privado, evitando um modelo que não esclareça claramente a divisão de responsabilidades."

Sem cortes. Para o coordenador de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Armando Castelar Pinheiro, a decisão do governo acompanha um movimento que inclui a entrada do empresariado nos sistemas de rodovias, ferrovias e portos. Uma das vantagens do novo modelo seria tornar os investimentos livres de possíveis cortes no orçamento.

"Há dificuldades do setor público em buscar investimentos", diz Pinheiro. Estudo do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) aponta que, de 1995 a 2010, a Infraero investiu R$ 4,3 bilhões - apenas 48% do valor total previsto no período.

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