Infraestrutura ruim faz viagem de 11 dias demorar mais de 2 meses

Rodovias precárias elevam custo logístico e são um dos itens que mais comprometem a produtividade do País

Luiz Guilherme Gerbelli e Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

17 Julho 2016 | 03h00

De Joaçaba (SC) até Alta Floresta (MT) são cerca de 2.800 quilômetros de distância, ou 34 horas de viagem. Com uma turbina de 20 toneladas na carroceria de um caminhão, esse tempo sobe para cerca de 11 dias. Mas, no caso da brasileira Weg, fabricante de equipamentos elétricos, essa viagem já durou 71 dias e muita dor de cabeça.

A infraestrutura rodoviária não está preparada para o transporte desse tipo de equipamento. “Os caminhões não podem circular à noite e, muitas vezes, é preciso mudar o trajeto por causa da rede elétrica que não permite a passagem do veículo”, afirma o superintendente Administrativo e Financeiro da Weg, André Luis Rodrigues.

Para ele, a falta de infraestrutura logística é um dos pontos que mais comprometem a produtividade e eficiência da empresa, que tem 25% de suas receitas decorrentes da produção no exterior (em 2008 era 4%). Mas não é só isso. O peso dos encargos sociais também sufoca as companhias. “Aqui no Brasil os encargos equivalem a 80% dos salários e no México (onde tem fábrica), 60%.”

Há ainda outro problema grave que influencia na produtividade: o deficiente nível educacional dos brasileiros – a taxa de analfabetismo funcional atinge 18,3%. No final, isso acaba refletindo no campo de trabalho. Os profissionais chegam ao mercado menos preparado do que em outros países. “Em alguns casos, a formação é melhor do que a daqui e o currículo mais atualizado”, afirma Rodrigues, da Weg, que tem base produtiva em 11 países. “Por causa disso, fomos obrigados a montar um centro de formação e desenvolvimento de profissionais.”

Tão grave quanto à baixa escolaridade é a falta de cultura do País de investir em inovação. Uma das justificativas, segundo especialistas, é o ambiente inóspito a novos negócios. No Brasil, para registrar um novo produto demora-se cerca de cinco anos enquanto em outros locais esse tempo é cai pela metade. No ano passado, o País fez 30 mil pedidos de patentes e os Estados Unidos, 578 mil.

Marco Stefanini, presidente do Grupo Stefanini, chama esse fenômeno de “ecossistema do Brasil”. Ele explica que, na parte administrativa, a complexidade de impostos faz a empresa ficar menos produtiva. “Nos departamentos que atuam com questões mais burocráticas, temos três a quatro vezes mais trabalhadores aqui no Brasil do que nos Estados Unidos.”

Para contornar os gargalos, as empresas lançam mão de inúmeros programas de eficiência, para evitar perdas com água e luz, para reduzir custos logísticos, de comunicação e de viagens. “Temos de fazer mais com a mesma equipe”, afirma o vice-presidente Sênior da Basf, Eduardo Leduc.

Taxi. No setor de serviços a situação não é diferente. Na Easy Taxi, que opera em 17 países, o motorista brasileiro é o que menos faz viagens. Segundo o presidente da empresa Jorge Pilo, uma das razões é o trânsito. Os motoristas que mais produzem para a empresa são os da Colômbia. Eles fazem entre 15% e 20% a mais de viagem do que os brasileiros, que têm mais cara da América Latina.

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