FELIPE RAU | ESTADÃO CONTEÚDO
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Infraestrutura tem risco acima da média no Brasil

Segundo pesquisa, 80% dos empresários avaliam que investimentos no setor no País são mais arriscados que no resto do mundo

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2016 | 05h00

Quase 80% dos empresários avaliam que investir em projetos de infraestrutura no Brasil tem risco elevado e acima da média mundial. Além de questões ambientais e de desapropriação, o aumento da judicialização no setor tem sido um grande entrave para 67% dos empreendedores, que pedem o aperfeiçoamento da regulamentação atual, mostra uma pesquisa feita pela Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham) e Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib).

De acordo com a sondagem, 69% dos empresários veem o ambiente de negócios em infraestrutura como ruim ou péssimo. “Era um resultado esperado, uma vez que um dos elementos essenciais em infraestrutura é ter um ambiente econômico e político estável”, afirma a presidente executiva da Amcham, Deborah Vieitas.

Segundo ela, na lista de preocupação dos empresários, o funcionamento das agências reguladoras está entre os assuntos que merecem ter as discussões ampliadas. Há anos o setor reivindica maior independência financeira e administrativa dos órgãos reguladores para dar mais segurança nas decisões de investimentos. Nos últimos anos, algumas agências sofreram um grande esvaziamento e perderam poder de decisão e de fiscalização.

Outros entraves que atormentam o dia a dia dos empreendedores são os processos ambientais, que ajudam a atrasar o cronograma de obras Brasil afora e elevam os custos de investimentos. “O ideal é colocar concessões no mercado já com a licença ambiental concedida”, afirma a executiva da Amcham. Na opinião dela, é difícil desenhar um plano de negócios se a parte ambiental vai ter reflexos negativos no futuro.

Pelo resultado da pesquisa, feita com 250 empresários, 42% ainda não conseguem enxergar melhorias na coordenação dos assuntos relacionados ao setor no novo governo do presidente Michel Temer. Além disso, 83% deles avaliam como insatisfatória a articulação entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário em prol dos investimentos estruturadores.

Projetos. “O governo precisa ter um planejamento de médio e longo prazos de projetos estruturantes para os próximos anos”, diz Deborah. Só desta forma o País conseguirá escapar da armadilha que é a péssima qualidade – ou falta – de projetos executivos. Esse também tem sido um dos motivos para o encarecimento dos empreendimentos do setor e de atrasos sistemáticos.

Na opinião do presidente da Abdib, Venilton Tadini, o momento é de transição e isso deixa a percepção de um quadro não tão seguro para investir no setor. Mas ele acredita que aos poucos esse sentimento negativo do investidor vá desaparecer, com a aprovação de medidas importantes para o País e da redução das taxas de juros. “Hoje, o juro real (descontada a inflação) do País é muito elevado (4,86%). Na medida em que as taxa começarem a cair, haverá mais segurança para investir”, diz Tadini, destacando que para 92% dos empresários o atual patamar dos juros é um grande entrave para atração de recursos no setor.

O vaivém do câmbio também é um ponto que atrapalha os investimentos, diz Tadini. De acordo com a pesquisa, 82% dos empresários consideram a adoção de medidas para conter riscos cambiais como um fator decisivo para o sucesso do plano de concessão prometido pelo governo federal.

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