Inglaterra dá incentivos para o gás de xisto e ambientalistas protestam

Primeiro-ministro David Cameron diz que país vai seguir exemplo americano; petrolífera francesa Total anuncia compra de licenças de exploração no Reino Unido

EFE,

13 de janeiro de 2014 | 16h09

LONDRES - A petrolífera francesa Total confirmou a decisão de investir na extração de gás de xisto (shale gás) no Reino Unido, com a compra de 40% de duas licenças de exploração.

O anúncio foi feito depois que o primeiro-ministro inglês David Cameron divulgou incentivos fiscais para os municípios ingleses, autorizando a controversa extração de combustíveis fósseis com a tecnologia conhecida como fraqueamento (fracking) das rochas.

A técnica utilizada para extrair o gás de xisto do subsolo é controversa porque injeta água sob grande pressão, areia e produtos químicos no subsolo para fraturar a rocha e liberar o gás.

A exploração do gás não convencional nos Estados Unidos já afeta das exportações da Petrobrás para os Estados Unidos, conforme revelou a manchete do Estadão nesta segunda-feira, 13.

O governo do Reino Unido está fazendo esforços para atrair investimentos em projetos

gás de xisto, inspirado pelo sucesso nos Estados Unidos, que praticamente alcançou a autossuficiência energética e reduziu o custo dos combustíveis com pesados investimentos na extração do gás de xisto.

Emprego. "O gás de xisto é importante para o nosso país, porque poderia gerar 74 mil postos de trabalho, mais do que US$ 3,600 bilhões em investimentos, além de garantir energia mais barata e segura para o futuro", disse o primeiro ministro inglês David Cameron.

"Vamos adotar esta mudança que tem bons resultados e garante progressos na América do Norte", disse o primeiro-ministro. Ele fez a ressalva de que não vai permitir a destruição do meio ambiente. A empresa petrolífera Total assinou acordo com a britânica Igas, para dar início à primeira fase de exploração.

Estima-se que a Total vai investir pelo menos US$ 21 milhões no projeto no projeto, que envolve perfurações em Gainsborough Trough, entre Doncaster e Lincoln, ao Norte da Inglaterra.

O vice-presidente da Total para o Norte da Europa, Patrice de Vivies, destacou que esta

oportunidade é um marco para a subsidiária da empresa na Grã-Bretanha, a Total E&P UK.

"O grupo já está envolvido em projetos de gás de xisto nos Estados Unidos, Argentina, China, Austrália, Polônia e Dinamarca, e pode fornecer conhecimentos neste novo negócio no Reino Unido", disse ele.

Ambiente. De acordo com os ambientalistas, a técnica pode causar a poluição da água e terremotos. As organizações que defendem a conservação do ambiente protestaram contra a decisão do governo.

O porta-voz da ONG Amigos da Terra, Jane Thomas, alertou que haverá conflito de interesses entre municípios, uma vez que eles se beneficiam do dinheiro dos impostos ao mesmo tempo em que decidem sobre os pedidos das empresas para fazer a exploração.

Nick Molho, da WWF-UK, disse que o governo deve se concentrar em aumentar a produção de energia renováveis antes de optar pelo gás de xisto, tendo em vista os riscos de mudança climática.

No fim de semana, centenas de pessoas se manifestaram contra um projeto de perfuração para explorar gás de xisto em Manchester, ao Norte da Inglaterra.

A empresa Cuadrilla, que também opera no Reino Unido, abandonou o projeto em dezembro passado no condado de Lancashire, após dois terremotos.

O Instituto Britânico de Geologia estimou que o Reino Unido pode ter reservas de 36 trilhões de metros cúbicos de gás de xisto no Norte da Inglaterra.

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