Inglesa é a Agência do Ano em Cannes

A Inglaterra jogou por terra o sonho brasileiro de conquistar no 49º Festival Internacional de Publicidade de Cannes o pentacampeonato de Agência do Ano neste balneário da francesa Côte D´Azur. O troféu mais importante do festival, que durante quatro anos seguidos entrou para o currículo das agências brasileiras DM9DDB (1998 e 1999), Almap/BBDO (2000) e F/Nazca (2001), foi para a Saatchi & Saatchi de Londres.Com a divulgação oficial dos resultados da mais disputada categoria do festival, a de filmes publicitários, o País totalizou a conquista de 29 leões este ano em comparação aos 34 de 2001. Em filmes, foram apenas três leões, um de prata para a W/Brasil e dois de bronze, um para a DM9DDB e o outro para a Leo, Burnett. Os outros leões do País foram conquistados nas categorias Press & Outdoor (15), Cyber (8), Mídia (2) e Marketing Direto (1).A diferença é pequena, mas o fato de os leões da categoria Cyber, de trabalhos para a internet, onde o País é líder absoluto, não terem contado pontos para o prêmio de Agência do Ano dificultou o êxito das empresas brasileiras. Essa contagem depende de decisão do presidente do júri das categorias Press & Outdoor e Filmes, que este ano foi o criador americano Jeffrey Goodby, co-presidente da Goodby Silverstein & Partners, de São Francisco (EUA).Nos quatro anos anteriores, os presidentes desses júris incluíram a categoria na contagem final dos pontos. Também houve limitação na contagem dos pontos de trabalhos incluídos na "short list". Antes, cada trabalho incluído nessa lista contava um ponto. Agora, mesmo que a agência tenha conseguido emplacar mais peças na lista, só pode contar até o máximo de dez.O Grand Prix da categoria filmes foi para a agência norte-americana Wieden+Kennedy, para a Nike, que em português seria a brincadeira de pega-pega. Mostra com som vibrante uma pessoa correndo, que quando toca em outras, estas começam a correr. Entre os brasileiros, o destaque principal, com leão de prata, foram os três filmes da W/Brasil, de Washington Olivetto, para a loja da rede Fnac em Campinas. Em comum, são estantes de livros, CDs e DVDs, onde as mãos vão revirando os produtos, ao ritmo de sons que têm a ver com os títulos. Assim, no de CD, por exemplo, surge a música "New York, New York", e no de DVDs, o som de filmes como "Tubarão".Um dos leões de bronze dos dois que o País levou foi para a DM9DDB com o filme intitulado "Cego", da Telefônica. A idéia era mostrar que aumentou o número de telefones públicos, os conhecidos orelhões, e um cego que nunca esbarra em vários objetos ao ir para casa, dá uma cabeçada num orelhão que havia acabado de ser colocado no trajeto.Já o bronze de filme da Leo, Burnett foi para campanha do Fiat Ducato, utilitário da montadora. Mostra uma carga sendo colocada no carro. Ao término, a tela de projeção desce, como acontece com um elevador, quando há muita carga e ele fica um degrau acima ou abaixo. A diferença é que, nesse caso, o utilitário continuou no mesmo lugar, a tela é que não resistiu à potência da carga.O resultado mostrou, mais uma vez, que nem sempre os aplausos do público no Grand Palais des Festivals de Cannes são garantia da conquista de leões. Nas projeções, filmes como os da W/Brasil foram muito aplaudidos, assim como a tartaruga da Brahma, criada pela F/Nazca, naquele filme em que faz "embaixadas" e um cozinheiro japonês tenta imitá-la. Ele sequer foi para a "short list", apesar dos aplausos e risos da platéia. O presidente da Neogama, Alexandre Gama, que também tinha grandes esperanças de ver o filme "Controle remoto", da Sky, em que um estádio se move, não conquistou leão.

Agencia Estado,

22 de junho de 2002 | 23h19

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