Ingleses entram na disputa pela compra da Garoto

A Cadbury Schwepps é a mais nova candidata à compra da Chocolates Garoto. A empresa brasileira de 72 anos está analisando a proposta da inglesa, além das ofertas feitas pela suíça Nestlé e pela italiana Ferrero Rocher, e deve tomar uma decisão até o final deste mês.O anúncio da venda da Garoto ocorreu há quase seis meses. De capital 100% nacional, a companhia capixaba detém 24,2% do mercado brasileiro e é a maior exportadora brasileira de chocolates. Segundo fonte do mercado, as negociações para a venda estão avançadas e a família Meyerfreund, controladora da Garoto, está prestes a fechar a transação. "É uma questão de quem der o ´plus´ sobre o valor real", diz esta fonte.A venda da Garoto foi assunto durante o seminário sobre oportunidades de negócios de varejo no Brasil. O diretor de Estratégia de Negócios Globais da consultoria Emerging Markets Economics (EME), Mahmud Nawaz, informou durante a apresentação que "um grupo inglês deve anunciar muito em breve a aquisição de uma importante empresa brasileira do setor de alimentos". A EME oferece assistência para grupos internacionais interessados em expandir os negócios em países emergentes.Nawaz não identificou as empresas envolvidas e não quis revelar detalhes do negócio. Ele limitou-se a dizer que trata-se de uma empresa brasileira de propriedade familiar, cuja venda está sendo coordenada pelo banco Merrill Lynch.Segundo fontes de mercado, a empresa brasileira que melhor se encaixa nesse perfil é a fábrica de chocolates Garoto, que contratou a Merril Lynch para coordenar o processo de venda.Fontes do mercado brasileiro acrescentam que as empresas interessadas na Garoto apresentaram propostas que batem com o valor de referência levantando pelo Merrill Lynch. O balanço da Garoto referente à 2001 já teria sido entregue aos interessados.A Garoto faturou em 2000 R$ 454 milhões, valor que corresponde a uma expansão de 12,6% em relação ao ano anterior, quando o faturamento líquido totalizou R$ 376 milhões. Os dados de 2001 ainda não foram divulgados.O volume produzido pela empresa deu um salto de 17,8% de 1999 para 2000, subindo de 71,5 mil toneladas para 84,2 mil toneladas. O lucro líquido foi de R$ 7,9 milhões em 2000.As vendas externas também fecharam 2000 em alta. Naquele ano, os embarques da Garoto bateram recorde ao somar 10,4 mil toneladas, número 27% superior ao do ano anterior. Esse desempenho contribuiu para que a empresa fosse responsável por cerca de 60% do total das exportações brasileiras de chocolates. A Chocolates Garoto exporta para 44 países dos cinco continentes.Para este ano, a Garoto projeta alta de 10% nas vendas ao mercado internacional em relação a 2001, segundo o gerente de Comércio Exterior da empresa, José Ricardo Cicone. Essa expansão segundo ele, se dará com a abertura de mercados e com a consolidação da marca no mercado internacional. No ano passado, a Garoto passou a vender para Costa Rica, República Dominicana e Belize, entre outros."Nem mesmo a crise na Argentina afetou as exportações da Garoto", afirmou o executivo. O Mercosul foi o destino de 35% das vendas feitas para o exterior. No Uruguai, a Garoto continua sendo líder, com 40% do mercado total de chocolates. Cicone destacou que os ataques terroristas aos Estados Unidos, em setembro, não implicaram prejuízo para a Garoto. "As exportações para a Arábia Saudita, Líbano, Catar e Israel se mantiveram", disse.A América do Norte, por sua vez, recebe 30% do que a Garoto vende no exterior. Chile, Coréia, México e Estados Unidos estão entre os países que mais importaram produtos da marca no ano de 2001. Bombons sortidos fazem parte da lista dos produtos mais consumidos no mercado externo. No México, a Garoto é líder em vendas deste tipo de produto.Em outubro, a Garoto firmou uma parceria com a empresa espanhola Alimex 21, que irá distribuir com exclusividade os produtos da marca no país. A expectativa é alcançar, até 2004, 3% de participação do mercado espanhol. O acordo é estratégico para os produtos da Garoto em todo o continente europeu.Ainda em 2001, a empresa também inaugurou um centro de distribuição no Chile, resultado de uma parceria firmada com empresários locais, proprietários da Lagos Del Sur Indústria de Alimentos. A parceria é a maior da empresa fora do Brasil e receberá embarques mensais de aproximadamente 200 toneladas até final do primeiro trimestre de 2002.Segundo Cicone, as exportações para o mercado chileno registraram crescimento superior a 400% no ano de 2000, o que justificou a abertura da distribuidora. A expectativa para 2002 é aumentar em 25% as vendas para aquele país.

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