Ingresso crescente de capitais indica confiança

O estoque de investimento externo direto no Brasil, inclusive empréstimos intercompanhias, atingiu US$ 660 bilhões em 2010 - ou 30,8% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Censo de Capitais Estrangeiros do Banco Central. Trata-se de um montante expressivo, explicável pela confiança dos investidores globais no País e pela perspectiva de lucros.

O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2011 | 03h07

Inovações metodológicas foram introduzidas no levantamento de 2011, feito a cada cinco anos por 69 países, que fornecem os dados ao Fundo Monetário Internacional. O indicador mais importante é o das participações estrangeiras no capital de empresas estabelecidas no Brasil, que atingiu US$ 579,6 bilhões. Neste ano foi acrescido o indicador dos empréstimos intercompanhias: de US$ 80,8 bilhões. Ainda que parte dos recursos tenha caráter oportunista, ingressando no País para auferir juros altos, o grosso se refere a investimentos de longo prazo, que permanecem aplicados mesmo em períodos de recessão, dependendo mais da estabilidade jurídica da nação receptora do que das circunstâncias de mercado.

Entre 2000 e 2010, só as participações no capital aumentaram US$ 476 bilhões, dos quais US$ 416 bilhões na segunda metade da década passada. A desvalorização do dólar em relação ao real ajuda a explicar o crescimento, mas este se deve, sobretudo, ao fortalecimento do mercado interno.

No setor de serviços, em que o estoque de participações de capital é de US$ 256 bilhões, destaca-se a área financeira e atividades auxiliares, com US$ 98 bilhões, seguindo-se as telecomunicações, com US$ 40 bilhões. Transcorrida mais de uma década da privatização da Telebrás, os investimentos externos continuam a fluir, mostrando que persistem os fatores positivos decorrentes da saída do Estado da atividade econômica direta. Despontam, ainda, as participações em serviços de eletricidade e gás (US$ 26,9 bilhões); comércio (US$ 24,9 bilhões); e atividades imobiliárias (US$ 12,3 bilhões).

A indústria é a segunda maior receptora de recursos, com estoque de US$ 230 bilhões - e ênfase nos segmentos de bebidas, veículos, metalurgia, produtos químicos, fumo e alimentos. Com a descoberta de novas áreas de exploração petrolífera, as participações de capital na extração de óleo atingiram US$ 49,4 bilhões, superando o aplicado na extração de minerais (US$ 35 bilhões).

Graças ao interesse pelo pré-sal e às perspectivas favoráveis relativas ao mercado interno, os investimentos tendem a crescer, ajudando a atenuar os efeitos da crise global.

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